QpQ Resenha | Interestelar

"Interestelar" é quase uma obra-prima. Faltou pouco!

Interestelar, de Christopher Nolan (trilogia Batman), é quase uma obra-prima. Faltou pouco!

Para um filme completamente cheio de sentimentalismo sobre a fé, a esperança e a determinação humana, Interestelar se mostra, às vezes, tão frio quanto o vácuo do espaço em que muitas das cenas do mesmo se passam. E isso se deve ao diretor/roteirista cujas produções anteriores são, em geral, bastante obscuras e niilistas.

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O longa começa em um futuro próximo, quando um desastre natural (não muito explicado) eliminou uma enorme parcela da raça humana e os que sobraram tem seus dias contados na Terra como a conhecemos. As culturas alimentícias já não são viáveis. E é numa dessas fazendas que encontramos o pai solteiro, ex-piloto da NASA (Matthew McConaughey), juntamente com seus filhos e o avô das crianças.

É na fazenda que o ex-piloto e sua filha começam a experimentar alguns fenômenos gravitacionais com uma pegada fantasmagórica, o que os leva a um complexo secreto da NASA, onde cientistas estão trabalhando em uma missão que tenta averiguar um buraco de minhoca próximo a Saturno, que pode levar o que resta da humanidade para uma galáxia habitável e assim salvar-nos.

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Cooper, convidado a pilotar a nave que partirá nessa missão, morde a isca e deixa sua família para trás e – em toda tradição cinematográfica – promete que voltará para eles. O que segue a partir disso são imagens de uma beleza admirável. Nolan domina o espaço com tal intensidade que o filme rivaliza com Gravidade, sucesso do ano passado, mas esse ainda se mostra um filme mais interessante.

O destaque do filme está em McConaughey, que se mostra melhor a cada filme que participa. Ele traz calor a frigidez de Nolan e, da abertura do filme ao seu final, sua interpretação demonstra toda a contagiante fé do personagem para salvar a humanidade, enquanto, simultaneamente, teme nunca mais reencontrar sua filha.

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O problema aqui é a personagem de Anne Hathaway. Embora a atriz tente brilhar com o material que tem em mãos, sua cientista soa um tanto quanto estranha nesse universo científico mostrado por Nolan, a partir do momento que toda sua frieza científica cai por terra ao falar do amor que a move em direção a um determinado objetivo na trama. Mas isso não estraga o filme.

Nolan traz algumas grandes armas no elenco de apoio. Michael Caine e Casey Affleck fazem o seu melhor, mas o destaque está em Jessica Chastain, que consegue milagres como a filha de Cooper, Murph. Desprezando seu pai por tê-la abandonado, Murph é mais uma complexa personagem de Interestelar. E ao juntar as peças de um intrincado quebra-cabeça é que a personagem e Chastain tem a chance de brilhar.

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Os efeitos especiais não são tão impressionantes como em Gravidade, mas a deslumbrante fotografia de Hoyte Van Hoytema compensa qualquer falta nesse departamento. E assistir ao filme na poderosa tela IMAX pode fazer toda a diferença.

Apesar do filme ser levemente previsível e ter umas pequenas escorregadelas é quase impossível acha-lo menos do que ótimo. Essa é a força do trabalho de Nolan, ajudado pelo belo desempenho de McConaughey. Uma obra-prima? Não. Mas com o tempo, Interestelar pode se tornar um clássico da ficção científica contemporânea.

Nota:

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Sobre Felipe Sclengmann
Era praticamente impossí­vel que o cinema não acabasse sendo minha paixão. Cresci no prédio onde um cinema funcionava, criado por um avô e uma avó que se conheceram trabalhando no ramo. Então, tá explicado! Falar sobre cinema é um hobbie, uma paixão, tá no meu sangue! Este é o motivo do Quadro por Quadro existir (além de aplicar os conhecimentos de uma graduação em Sistemas de Informação, a qual detesto) e ele está aí para reunir quem também ama esta arte.