QpQ Resenha | Livre

Reese Witherspoon, Laura Dern e "Monstro" arrasam em "Livre"

Um dos lançamentos mais incríveis desta semana é Livre, filme baseado no livro Wild, de Cheryl Strayed, narrando sua caminhada solitária pelos 4.200 km da Pacific Crest Trail, uma trilha localizada no oeste dos Estados Unidos, indo de sua fronteira com o México até quase o Canadá (veja um mapa aqui: bit.ly/1E0WdoL). Caminhada punk, Cheryl que o diga. E o filme já começa com uma cena pra deixar qualquer um desencorajado: Cheryl perde um pé de sua bota de trilha. E ela está bem na metade do desafio. 2.100 km a pé? E aí?

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E aí que o filme é pura emoção. A Cheryk, interpretada por Reese Witherspoon, passou por muitos perrengues, estava perdida e sem rumo na vida, e decidiu largar tudo e botar o pé literalmente na estrada. Primeiro ela passou um tempo se preparando pra aventura: comprou tudo que era equipamento recomendado pra caminhada – tudo! Depois, deixou tudo encaixotado e só foi botar tudo junto, e dentro da mochila, quando já tava em um motel de beira de estrada, na noite anterior à caminhada. Conseguiu imaginar o desastre? Pra você ter uma ideia, a mochila foi apelidada de “Monstro”.

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Mas “Monstro” era o menor dos problemas de Cheryl. Ela enfrentou bolhas nos pés, unhas caindo, frio, calor, medo, solidão. E nas quase duas horas de filme, você experimenta cada uma destas sensações (bom, espero que você feche os olhos na parte da unha caindo, pra não experimentar a sensação…). O filme tem uma trilha sonora lindíssima (quer ouvir? aqui: bit.ly/1KLNZFD), mas o filme é bastante silencioso também, com o som das pegadas da Cheryl como trilha sonora. Ou então os xingões que ela solta quando tropeça, cai, ou alguma coisa dá errado. Ou ela falando sozinha e reclamando que foi estúpida de esquecer algo. Ou trazer algo a mais. Ou se perguntando por quê, afinal, está fazendo a bendita trilha. Afinal, aquilo tudo parece uma bela perda de tempo, uma aventura perigosa, tanto fisicamente quanto emocionalmente. E não tem nenhuma mulher fazendo a trilha – os homens que passam por ela vivem repetindo isso -, e devia estar em casa. Apesar de saber que nem um endereço pra chamar de seu ela tem.

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E porque não tem casa? Bom, aos poucos, enquanto Cheryl caminha e vence seus limites físicos, ela vai contando sua história de vida. A importância de sua mãe, interpretada por Laura Dern (que está damn good no papel!), em sua vida. Seu casamento, seus casos, suas aventuras, as drogas, a bebida. E a cada passo de Cheryl, algo de sua vida é revelado. A cada novo desafio enfrentado, um novo ciclo se fecha. E como ela termina a trilha? Ah, nem vem, não vou me empolgar, não. Vai assistir ao filme e falamos depois 😉

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Eu particularmente achei o livro meio chato, longo, excessivamente detalhista em partes que podiam ser um pouco mais dinâmicas. Mas tudo isso é supercompensado pelo filme. O filme intercala, na dose certa, passado e presente. E faz os cortes nas horas certas, deixando você na expectativa, com vontade de saber mais. Alguns personagens menores foram cortados do filme, sem perda nenhuma, e ajudando a história. É um dos poucos filmes que posso dizer que gostei mais do que o livro.

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Mas sabe o que é mais incrível neste filme? A Cheryl, mocinha aparentemente indefesa, tinha tudo pra voltar correndo pra casa. Motivo de sobra, incluindo aparente incompetência, falta de tudo que você imaginar, além de vontade. Ela sofreu bullying, ela correu o risco de ser estuprada, morta. Ninguém ia sentir a falta dela, ia dizer que foi culpa dela, pois quem mandou ela sair andando sozinha no meio do mato, de shorts (que abuso!!!). Mas ela ficou forte. Ela insistiu, persistiu, e brigou com o maior de todos os monstros, aquele que atormenta a todos nós: o monstro “eu”, que no caso das mulheres pesa um pouquinho bastante a mais. Então, Cheryl, my love, você realmente me representa.

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Pra fechar esta resenha que já ficou longa e chata, deixo vocês com uma frase boa do filme:

“Aqui estão algumas perguntas que tenho feito a mim mesma. E se eu me perdoar? E se eu me arrepender? E se eu pudesse voltar no tempo? Eu não faria nada diferente. E se todas as coisas que fiz foram as coisas que me trouxeram aqui?”

Nota:

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Sobre Melissa Correa
Cinema sempre foi minha maior paixão, sempre fez parte de quem eu sou. Quando criança, eu levantava pra ver filmes de terror de madrugada, escondida. Ficava até três da matina (bendito fuso horário de Los Angeles!!) pra acompanhar o Oscar. E salvava cada centavinho pra ver os filmes no cinema. Hoje também curto viajar, beber café e ler, mas o cinema continua em primeiro lugar na minha vida.