QpQ Resenha | True Detective

A segunda temporada de "True Detective" retrata novamente o mundo que merecemos

Um dos problemas de fazer uma antologia, é que se a primeira história faz muito sucesso, como foi o caso da primeira temporada de True Detective, a segunda, precisa trabalhar muito mais para agradar os fãs.

A série original da HBO traz o formato em que as temporadas são totalmente independentes entre si, sem qualquer ligação, mas com o mesmo tema de investigação criminal, assim como funciona em American Horror Story, que a cada temporada conta-se uma história distinta de horror.

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Muitos atores de alto escalão ficaram interessados em participar da empreitada, e para superar o primeiro ano, foi escalado um elenco estelar que fez alguns fãs torcerem o nariz, até porque não conseguiam se desvincular da história marcada pela primeira temporada, mas tirando a recepção dos espectadores mais céticos, os novos detetives Ani Bezzerides (Rachel McAdams), Ray Velcoro (Colin Farrell), Paul Woodrugh (Taylor Kitsch) e também o gângster Frank Semyon (Vince Vaughn), são personagens muito bem construídos em todas as suas falhas. Cada um com seu fardo e problemas pessoais, eles parecem projetar no caso que envolve a morte de Ben Caspere, suas aspirações de que algo no mundo precisa dar certo ou fazer sentido, já que suas vidas são tão cheias de incertezas. Os detetives da vez, ainda seguem a linha romantizada do que significa ser um “verdadeiro detetive” e se importam com o que estão fazendo, mas encaram um mundo onde existe algo que vive entre eles e que está muito bem disfarçado, assim como a trilha de abertura deixa claro.

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A nova trama é mais complexa e traz a realidade do submundo de Los Angeles, nos EUA, sobre as festas secretas, drogas, lavagens de dinheiro e prostituição. E como a própria série sugere, “temos o mundo que merecemos”, o universo dessas pessoas desmorona a cada episódio e suas ações duvidosas são altamente compreensíveis, principalmente por conta dos obstáculos vindos da sociedade repressora, das autoridades, que tornam tudo mais burocrático, mascarando fatos, silenciando pessoas e pistas por interesses políticos e econômicos.

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O fato é, que a jornada pessoal dos personagens é muito mais interessante que a própria investigação em si, que por muitas vezes fica desinteressante e perde sua importância.

Os momentos que estabelecem o tom particular do ano dois da produção, são as cenas de bar entre Frank e Velcoro que funcionam como um respiro, uma hora em que se relaxa e bebe um drink. A poesia dos planos de câmera é desenhada sem pressa e o conflito entre esses personagens se constrói com cortes entre as falas e a música de voz e violão ao vivo do bar, que formam diálogos interessantes e intensos. Outro grande momento da temporada é a chacina na cidade de Vinci, que serve de ponto de ruptura para que a história siga outro caminho.

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Mesmo sentindo o peso da sombra da primeira temporada, True Detective volta com alto nível e termina de maneira muito competente e inesperada em um season finale de 90 minutos, um evento por sí só, e fica a promessa de um novo desafio no ano três, superar os eventos precursores.

Nota:

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Sobre Felipe Cavalcante
Formado em RTV, fã de boas músicas e boas histórias, sempre em busca de coisas novas e empolgantes. Obcecado por super-heróis e pela magia do impossível que se torna real nas telas da TV e do cinema.