QpQ Resenha | Scream

A série "Scream", da MTV, traz seus sustos para uma nova geração

Talvez para quem não tenha vivido no final dos anos 90 não entenda a relevância da franquia de filmes Pânico para a cultura pop e para o cinema de terror. Uma pena que a produção dos filmes sempre foi turbulenta e cheia de imprevistos, pena também termos perdido a mente por trás da máscara de fantasma que fez tudo isso possível. Wes Craven, o diretor dos 4 filmes e produtor da série de tv em questão, faleceu dia 30 de agosto deste ano aos 76 anos.

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Scream – The TV Series, a série original da MTV, sem previsão para chegar no Brasil, encerrou sua primeira temporada nesta última terça-feira nos Estados Unidos, e conseguiu provar que o público adolescente do século XXI está sim preparado para uma nova encarnação de Ghostface, e até o público que acompanhou a jornada de Sidney Prescott em Woodsboro e Hollywood. A série tenta começar do zero, sem trazer de volta os personagens de Neve Campbell (Sidney Prescott), Courtney Cox (Gale Weathers) e David Arquette (Dewey Riley), mas acredite, as referências deles estão lá, afinal os criadores fizeram sua lição de casa e sabem que não se deve se separar do grupo e dizer “eu vou voltar”, porque provavelmente essa pessoa já estará morta na próxima cena.

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Alguns lances característicos dos filmes fazem falta na série que leva o sadismo num nível um pouco mais leve, mas sem economizar no banho de sangue. As ligações do assassino para a heroína não causam aquela sensação de estar sendo observado, que chegava a arrepiar nos filmes, esse labirinto calculado em que o mascarado coloca Emma (Willa Fitzgerald), a mocinha da vez, perde um pouco desses traços e trata mais de uma história de vingança que parece que não vai terminar tão cedo.

A trama é inteligente ao recriar uma origem para o assassino. O passado duvidoso e bizarro de Maggie Duval (Tracy Middendorf), mãe da protagonista Emma, convence no sentido mais Sexta-feira 13 e Halloween possíveis e não incomoda nenhuma inspiração, afinal a franquia trata muito bem disso, intertextualidade e metalinguagem, que são discutidas entre os personagens o tempo todo, fazendo referências desde A Culpa é das Estrelas até as Kardashians.

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Dessa vez os perigos atingem a turma em forma de virais e compartilhamentos, uma escolha coesa com o mundo digitalizado em que todos nós vivemos hoje, qualquer webcam ligada ou celular com sinal pode ser uma arma contra as vítimas. E as perdas são grandes e significativas no elenco, que faz o espectador se importar com a solução do caso.

Polêmicas a parte, a nova máscara não é tão marcante como a original, assim como a agilidade do assassino também não é a mesma, que não antecipa os próximos passos das vítimas e não tem tantos movimentos frenéticos que dão agonia nas cenas de perseguição, que também são poucas, talvez pelo público hoje estar mais familiarizado com filmes de tortura e não com serial killers.

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Com um final sem final, mas bastante inesperado e talvez esse tenha sido um dos trunfos da produção, a MTV já prepara sua segunda temporada que vai continuar a jornada de Emma e dos poucos sobreviventes e seus segredos ainda guardados, pois acredite, ninguém está livre de suspeitas. Fato é, que mesmo sendo fã do clássico, a série pode render e entrega um bom material para não deixar no esquecimento uma marca tão forte e criativa como é Ghostface.

Nota:

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Sobre Felipe Cavalcante
Formado em RTV, fã de boas músicas e boas histórias, sempre em busca de coisas novas e empolgantes. Obcecado por super-heróis e pela magia do impossível que se torna real nas telas da TV e do cinema.