QpQ Resenha | Sicario: Terra de Ninguém

O lado feio do combate ao narcotráfico, pelos olhos de Emily Blunt, em "Sicario: Terra de Ninguém"

Emily Blunt ficou conhecida através do seu papel coadjuvante na comédia O Diabo Veste Prada. Em A Jovem Rainha Vitória, encantou o público com sua delicada interpretação da monarca inglesa. Agora, em Sicario: Terra de Ninguém, a atriz de 32 anos entrega sua melhor performance interpretando a ética agente do FBI Kate Macer, especialista em missões envolvendo reféns do narcotráfico.

Logo na cena de abertura, acompanhamos tensos uma missão com um final surpreendente, que demonstra o quão cruel é o submundo das drogas. Kate é então convidada a se voluntariar para uma missão especial, e a partir daqui o filme toma outra perspectiva: ela deixa de comandar a situação, e passa a caminhar às escuras numa missão conduzida por Matt Graver (Josh Brolin, de Evereste) e com a colaboração do misterioso Alejandro (Benicio Del Toro, de Traffic: Ninguém Sai Limpo). Os três rumam à fronteira norte-americana e a Juárez, capital das drogas no México, e lá vemos que a crueldade pode alcançar um patamar mais elevado: impor o medo é uma forte arma na soberania dos cartéis.

O diretor Denis Villeneuve, de O Homem Duplicado e atrelado ao novo projeto de Blade Runner, contextualiza a aridez da região e do combate ao tráfego de drogas com belas tomadas, articula ainda uma ótima trilha sonora, e extrai dos atores interpretações soberbas.

A tensão é mantida durante toda a projeção do filme, e algumas medidas foram tomadas para ampliar ainda mais essa sensação angustiante: a vida de Kate está nas mãos de Alejandro, um personagem sobre o qual pouco sabemos; originalmente, o background do personagem era explicitado logo no início, mas o ator e o diretor optaram por eliminar quase 90% das falas do personagem presentes no roteiro, recurso possível devido ao talento de Benicio, que comunica apenas com sua presença na tela.

Sicario: Terra de Ninguém é um duro golpe na boca do estômago, e nos mostra de forma cruel que muitas fronteiras são cruzadas quando se trata do narcotráfico, e a borda EUA/México é apenas uma delas.

Nota:

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Sobre Atilio Comper Neto
Publicitário apaixonado por filmes, música e games. Evolução pokémon de um nerd, só troca uma sessão de cinema pra passear com sua cadela no parque. Sempre que pode dá uma escapadinha para Nova Iorque, onde gosta de caminhar a esmo.