QpQ Resenha | Jessica Jones

"Jessica Jones" expande o lado pesado da Marvel

Enquanto deuses, super-soldados, monstros verdes e homens de lata lutam nos céus e nas galáxias, as ruas e as vítimas dos grandes incidentes, como alienígenas caindo de um buraco nas nuvens, precisam de uma atenção mais personalizada e toda a sujeira deixada nas ruas, precisa ser limpa.

Essa é a ideia que vai juntar os Defensores, equipe de heróis da Marvel que com parceria com a Netflix, vai tornar tudo isso uma realidade, mas por enquanto só fomos apresentados ao Demolidor e agora a Jessica Jones.

A série da heroína underground e pouco conhecida, estreou com uma promessa muito grande de superar a excelente produção sobre o demônio vermelho de Hell´s Kitchen. Inspirada nas páginas de Alias do selo Max da Marvel, etiqueta adulta da empresa que permite tocar em assuntos mais violentos e menos cartunescos, acabou não levando o mesmo nome para a Netflix, porque podia ser confundida com a série protagonizada por Jennifer Garner há 9 anos atrás na ABC.

Jessica Jones (Krysten Ritter, de Breaking Bad), a heroína errante que possui super força e também pode dar longos saltos, não faz o tipo que se espera de uma defensora, ela é grossa, egoísta, se mantém a base de uísque e não vive sob um código de conduta. Após o acidente que matou seus pais e seu irmão mais novo, ela foi acolhida pela Sra. Walker e sua filha Trish Walker (Rachael Taylor, de A Hora da Escuridão) que nos quadrinhos também é conhecida como a Felina. Após tentar a carreira de super-heroína, que fracassou, Jessica se torna uma investigadora privada para descobrir o podre das pessoas, o que é interessante já que sua consciência não é das mais tranquilas também. Nesse cenário entra o vilão Kilgrave (David Tennant, de Doctor Who), ou Homem Púrpura, que tem como habilidade controlar a mente das pessoas, fazendo com que elas façam o que ele quiser, e Jones foi uma de suas vítimas no passado.

O feminismo aqui, está em alta, as mulheres da série não deixam barato para os personagens masculinos, elas tomam as decisões sem deixar eles darem opinião, e elas viram a mesa, fazendo com que os homens sejam o sexo “frágil” na história, carentes e dependentes das mulheres. Jeryn Hogarth, a personagem de Carrie Anne-Moss (a Trinity, da trilogia Matrix) por exemplo, é um homem nos quadrinhos do herói Punho de Ferro, que também vai ganhar sua série própria na Netflix em breve. A mudança de gênero faz o maior sentido para essa abordagem.

Trocando a noite e os telhados de Demolidor, Jessica Jones toma conta do dia e das ruas, no maior estilo de filme noir de investigação, a trilha sonora também toma conta disso. Há sexo e muito sangue em plena luz do dia. Mas a história que se desenrola muito bem no começo, com os dilemas dela sobre o que realmente significa ser uma heroína e qual a melhor maneira de ajudar as pessoas, além dos surtos como reflexo da influência do Homem Púrpura em sua mente, se perde com a trama complicada que se estabelece a partir da captura do vilão. Chega uma hora que os esforços ficam cansativos e todas as tentativas de derrotar Kilgrave são nulas, então a história parece se arrastar para o grand finale, sem qualquer intenção de surpreender.

Como parte integrante do universo expandido da Marvel, muitas referências são mencionadas, como o Hulk e também sobre a Guerra Civil, quando Jessica é atacada por quem odeia os dotados de habilidades especiais. Além disso, muitos “easter eggs” como a existência da Tigresa Branca são apresentados, mas tudo bem se você não lê os quadrinhos, isso não atrapalha em nada na experiência de assistir a série. Alguns personagens do Universo Marvel também aparecem. Luke Cage, o próximo na fila a ter 13 episódios, e também o amor de Jessica, deixa a desejar na performance do ator Mike Colter. Mesmo sendo a personificação perfeita dos quadrinhos, talvez a dificuldade seja conduzir uma série solo nas costas, mas vamos esperar.

Só pela iniciativa da Marvel de trazer personagens impossíveis de se imaginar nas telas, já vale aplausos, mas o roteiro precisa ser melhor trabalhado para o ano 2 e também para os outros personagens, para que esse esforço e toda a criação em volta de obras tão legais, não sejam em vão. A Safira dos quadrinhos, agradece.

Nota:

Please follow and like us:
Sobre Felipe Cavalcante
Formado em RTV, fã de boas músicas e boas histórias, sempre em busca de coisas novas e empolgantes. Obcecado por super-heróis e pela magia do impossível que se torna real nas telas da TV e do cinema.