QpQ Resenha | Star Wars – O Despertar da Força

"Star Wars - O Despertar da Força" é nostálgico ao extremo, mas coloca a franquia em órbita novamente

Não é errado rotular Star Wars como uma das maiores influencias culturais do último meio século. O primeiro episódio (o quarto da cronologia oficial da franquia), lançado em 1977, foi um abalo sísmico na indústria cinematográfica e suas ondulações foram sentidas em todas as partes.

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Por 36 anos, George Lucas permaneceu o único piloto no controle da marca e, embora a série tenha tido bons momentos em suas mãos na primeira trilogia, ela também teve turbulências após o lançamento do criticado Episódio I (em 1999). Mas, para o bem ou para o mal da saga, todas as eras chegam ao fim e, com Star Wars – O Despertar da Força, entramos na fase pós-Lucas.

E como nos casamentos americanos, esta primeira sequência direta de O Retorno de Jedi (1983), possui algo novo e algo emprestado – “emprestado”, na verdade, possui muito mais que uma única coisa, mas isso não necessariamente é um problema.

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O frenesi em torno deste filme é algo que nem mesmo o filme-evento Os Vingadores, também da Disney (que é a nova dona da franquia), conseguiu alcançar.

Mas se há uma razão para ficar desapontado com o novo filme de J.J. Abrams (que também foi responsável pelo reboot de Star Trek, em 2009, e por uma certa espécie de retomada de Missão: Impossível, em 2006) é a ligeira falta de originalidade. É claro que Uma Nova Esperança, lá em 1977, não era um pináculo da realização cinematográfica, mas parecia fresco aos olhos da sua geração. Enquanto isso, O Despertar da Força, por vezes, parece uma refilmagem, dada a força (sem trocadilhos) de todas as influências e homenagens que o filme faz para o seu cânone.

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Ironicamente, as poucas coisas inovadoras que o roteiro de Abrams, juntamente com Lawrence Kasdan (roteirista de O Império Contra-Ataca), estão entre os pontos altos do filme e trazem um senso de expectativa para o que está por vir no futuro da franquia.

O filme começa mais de três décadas após a morte do Imperador em O Retorno de Jedi e, após a queda do Império uma nova República nasce, formada pelos remanescentes do antigo e corrupto regime na galáxia muito, muito distante onde a trama se passa.

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Liderados pelo misterioso lí­der supremo Snoke (Andy Serkis, o Góllum de O Senhor dos Anéis), a Primeira Ordem, os reminiscentes seguidores das crenças do Império, construiu sua própria versão da Estrela da Morte. Ela não pode se mover e não é inteiramente criada por homens mas é uma arma letal mesmo assim, e está praticamente pronta para entrar em operação e obliterar a nova República. Kylo Ren (Adam Driver, de Enquanto Somos Jovens), o segundo no comando da Primeira Ordem, almeja ser como Darth Vader, e tenta dar o seu melhor para usar seus poderes com o lado negro da força, tentando encontrar Luke Skywalker (Mark Hamill).

Enquanto isso, o mapa para encontrar Luke, que é procurado pela Primeira Ordem, é confiado ao dróide BB-8, numa referência clara à mensagem confiada por Leia à R2-D2 em Uma Nova Esperança. Rey (Daisy Ridley, de Scrawl), uma órfã que vive em um planeta desértico acaba por encontrar o dróide e isso muda sua vida radicalmente, assim como aconteceu com Luke ao encontrar R2-D2 em Tatooine, no início da saga.

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Ela acaba perseguida pelos homens de Ren, e depois junta forças com Finn (John Boyega, de Ataque ao Prédio), mostrando suas habilidades como piloto ao roubar uma nave espacial (a famosa Millennium Falcon) e escapar para o espaço, cruzando o caminho com os antigos proprietários da nave: Han Solo (Harrison Ford) e Chewbacca (Peter Mayhew). Quando Han e Chewie percebem a importância da missão de BB-8 eles não têm escolha senão voltar à Resistência e enfrentar seu passado.

Não há dúvidas que Abrams tenta enfatizar a conexão entre Uma Nova Esperança e O Despertar da Força (provavelmente para evitar uma das principais crí­ticas feitas a A Ameaça Fantasma – de que o filme parecia muito diferente da trilogia original). Ele aproveita de uma série de técnicas que Lucas se utilizava no original além de todo o design de produção remeter ao passado.

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As batalhas espaciais, como deveriam ser, são perfeitamente executadas e épicas, e não há erros colossais como Gungans, Jar Jar Binks ou Ewoks. BB-8, a nova adição ao “elenco”, dá um show a parte (e venderá muitos brinquedos derivados), mas os puristas continuarão preferindo R2-D2 e C-3PO.

Os novos personagens são simpáticos e bem desenvolvidos. Traçando paralelos, Rey é a versão de Luke nesta nova trilogia e, embora não saibamos os seus segredos, ela é a personagem que mais promete no futuro da saga. John Boyega nos entrega um Stormtrooper com consciência. Ele é uma espécie de Princesa Leia do Episódio VII, apesar de este ser um paralelo imperfeito. O “novo Han” seria Poe Dameron (Oscar Isaac, de Ex_Machina: Instinto Artificial), embora não vejamos o suficiente dele para determinar se o seu senso de humor irônico coincidirá com sua bravura.

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E o que dizer dos velhos personagens? À medida que vão aparecendo é impossível não ter de lidar com o sentimento de nostalgia de vê-los novamente. Ford interpreta Han exatamente como se esperava. Carrie Fisher faz a mesma lí­der da trilogia original com a adição do peso de décadas de guerra e uma ou outra tragédia pessoal.

Então, qual o veredicto final? Uma profusão de sensações! É um ótimo começo para uma nova trilogia, mas passa longe de ser a obra-prima esperada por muitos. É um espetáculo espacial nostálgico que dominará o coração da geração atual assim como o fez 30 anos atrás.

O filme não manchará o legado Star Wars, muito pelo contrário, satisfaz uma necessidade cultural deixada pela própria saga em 2005. Agora é esperar e ver o que o Episódio VIII (que já encontra-se em produção e chega aos cinemas em maio de 2017) pode construir sobre a nova trama. Mas uma coisa é certa, depois da trilogia de prelúdios, O Despertar da Força coloca a franquia de volta em uma órbita mais elevada novamente.

Nota:

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Sobre Felipe Sclengmann
Era praticamente impossí­vel que o cinema não acabasse sendo minha paixão. Cresci no prédio onde um cinema funcionava, criado por um avô e uma avó que se conheceram trabalhando no ramo. Então, tá explicado! Falar sobre cinema é um hobbie, uma paixão, tá no meu sangue! Este é o motivo do Quadro por Quadro existir (além de aplicar os conhecimentos de uma graduação em Sistemas de Informação, a qual detesto) e ele está aí para reunir quem também ama esta arte.