QpQ Especial Diretor | David Lynch

No aniversário de David Lynch separamos 5 filmes essenciais do diretor

A noite pode desencadear inúmeras possibilidades; tão sedutora e viciante, ela pode também ser perigosa para a nossa mente. Tudo é mais permitido e ao mesmo tempo escondido. As criaturas terrenas ou imaginárias que ocupam a noite fazem do impossí­vel algo perturbador, tamanha a realidade.

Nesse universo que mistura tudo que passa em nossa mente, inclusive nossos medos, encontra-se o diretor ou, melhor ainda, a personalidade de David Lynch, nascido em 20 de janeiro de 1946 na cidade de Missoula, em Montana, nos EUA. Com origem artí­stica e frequentador de várias escolas do gênero, o gênio ficou conhecido por criar uma assinatura de montagens com múltiplas emoções conectando personagens e sentimentos em uma sequência.

Quando a gente pensa em sonho, já rola a vontade de buscar os significados na internet; e quando você não lembra o que sonhou, começa a se preocupar também. Existem tantas teorias e ciências em cima do inconsciente dessa máquina pensante e perfeita que é o corpo humano que algumas delas foram bem exploradas no cinema pelo cineasta. O bizarro e o desconhecido cabem também nessa atmosfera, onde crimes e sedução se misturam numa combinação perfeita de ação e reação, culpa e inocência, estrelato e anonimato.

A experiência imagética dos filmes de Lynch não é como qualquer outra. Há uma brincadeira com texturas e cores específicas, e sua TV ou projetor de cinema precisam estar adaptados para receber toda essa informação. Tudo isso é muito bem construí­do e ao mesmo tempo desconstruí­do, como um sonho.

Sua originalidade transcende a arte modelo do cinema, que segue uma linha. Aqui o cineasta tem a sua própria maneira de conduzir um raciocí­nio de trama e de sentidos, com experimentações que bons apreciadores podem absorver.

Veja cinco dos filmes do cineasta, que exploram essa sua linguagem incomum:


CidadedosSonhos

CIDADE DOS SONHOS
(Mulholland Dr., 2001, 2h26 min)

Após um acidente de carro em Mulholland Drive, Camilla Rhodes (Laura Harring) sofre amnésia. Ela e Diane Selwyn (Naomi Watts), outra aspirante a atriz de Hollywood, vão em busca de pistas e respostas pela cidade de Los Angeles em um empreendimento que vai além dos sonhos e da realidade. Esta trama mistura o desejo da fama com o da vida ordinária e comum. Como elas se confundem e se convergem. Hora perde-se a originalidade, hora se alcança um reconhecimento do talento puro. Uma trama difí­cil para uma cabeça fechada, mas ao mesmo tempo tão natural e confuso como a vida, principalmente se enxergarmos pelos olhos dessas personagens. Filme listado como “cult”, é uma bela obra e um dos primeiros trabalhos notórios de Naomi Watts.


hallo

IMPÉRIO DOS SONHOS
(Inland Empire, 2006, 2h52 min)

A atriz Nikki Grace (Laura Dern) começa a adotar a personalidade de sua personagem em um filme e seu mundo começa a se tornar um pesadelo surreal. Com as mesmas caracterí­sticas do cineasta, a trama acompanha a intertextualidade entre essas duas vidas que correm juntas mas em planos diferentes na mente da protagonista. Algo que pode ser popularizado quase que como a história de Cisne Negro (2010), mas ainda mais perturbador e angustiante. Obra pouco conhecida, mas que vale a pena mergulhar.


hallo

VELUDO AZUL
(Blue Velvet, 1986, 2h00 min)

O mistério sobre uma orelha encontrada motiva um jovem a uma investigação que o leva até a cantora de boate Dorothy Vallens, interpretada pela incrí­vel Isabella Rossellini. Situada numa perfeita e pequena cidade, iguais as que o cineasta viveu antes de adulto, a história conta como um mundo obscuro se esconde por debaixo de toda essa tranquilidade e cores alegres. Composto por uma trilha sonora antiga, casando com um estilo noir e moderno ao mesmo tempo, o filme controverso com traços de simbolismo também usa de metáforas para sugerir seu desfecho. Os tons de azul sugerem principalmente os sentimentos de Dorothy, uma mulher acostumada ao abuso e à melancolia. Uma obra charmosa que prepara o terreno para outros contos importantes na carreira de Lynch.


hallo

O HOMEM ELEFANTE
(The Elephant Man, 1980, 2h05 min)

Passado na era vitoriana e baseado em uma história real, o filme conta a jornada de John Merrick (John Hurt), um homem inteligente e muito amigável, mas odiado pela sociedade inglesa por causa de sua deformação. Retirado de um circo de aberrações pelo doutor Frederick Treves (Anthony Hopkins), ele começa a ser tratado como o homem que realmente é. Uma comparação para todas as histórias de aceitação que vivemos desde que o mundo é mundo. Questão essa que difere as pessoas pelas suas caracterí­sticas ou comportamentos, e se já é difí­cil conviver com intolerantes em 2016, imagine no século XIX. Essa obra, dirigida por Lynch, náo é a sua mais autoral, mas sim a mais clássica, que abriu as portas para aquela tão sonhada visibilidade para o criador. O filme recebeu 8 indicações ao Oscar e 4 ao Globo de Ouro.


hallo

A ESTRADA PERDIDA
(Lost Highway, 1997, 2h15 min)

Depois de um encontro bizarro com um homem misterioso, o saxofonista Fred Madison (Bill Pullman) é incriminado pelo assassinato de sua esposa e mandado para a prisão, onde inexplicavelmente ele se transforma em uma outra pessoa e leva outra vida. Muita polêmica foi gerada em torno do filme, que parecia ser exagerado no absurdo. Fato é que a linguagem de David Lynch é uma assinatura assim como os filmes de Tim Burton, que contam histórias fofas com estética de horror. O carimbo de Lynch presa por uma experiência emocional e sensorial que devemos deixar nos levar. O clima de mistério de filmes de investigação, com mulheres fatais e jogos experimentais de luz, fazem do filme, algo realmente controverso. O foco aqui, na verdade, é contar a história de um homem que sai da “casinha”, que faz o inimaginável para viver algo novo e diferente, e como vai ser sua jornada, só o seu subconsciente pode dizer.

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Sobre Felipe Cavalcante
Formado em RTV, fã de boas músicas e boas histórias, sempre em busca de coisas novas e empolgantes. Obcecado por super-heróis e pela magia do impossível que se torna real nas telas da TV e do cinema.