QpQ Resenha | Chelsea Does

Série documental "Chelsea Does", toca nos assuntos que mais incomodam a sociedade

Em 2007, vasculhando os canais de TV a cabo, um que me chamava muita atenção era o E!. Canal de TV que vive das celebridades e que quando você começa a assistir, não para mais, porque os interesses mundanos são bons demais de consumir. Mas enfim, um programa em especial que passei a gostar muito, era chamado Chelsea Lately, que passava todas as sextas por volta de onze da noite, aí você pensa: “nossa, quem fica em casa nesse horário?” Bom, eu ficava desde a época de Os Normais.

Comandado pela atriz e comediante mais famosa dos EUA, Chelsea Handler, o programa misturava talk show com convidados e mesa redonda de humoristas e atores de stand-up para falar sobre notícias curiosas ou zoar as celebridades.

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Bem, 9 anos se passaram desde então e agora, a humorista ácida e pessimista estreia sua série original pela Netflix, que mistura reality show com documentário. Chelsea Does, tem 4 episódios, cada um com tema mais polêmico que o outro. Casamento, tecnologia, racismo e drogas. Cada um dos assuntos abre uma margem de discussão que chega a religião, lifestyle, cultura, e tudo que a nossa sociedade vive hoje em dia. Podemos ver um pouco do que Sasha Baron Cohen fez em seus filmes e programas, aquela sensação de incômodo por parte dos entrevistados ou participantes que não esperavam por perguntas e provocações tão diretas.

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É natural ver a evolução da comediante que hoje tem seu caráter estabelecido e até odiado por muita gente, justamente por falar muito sobre esses assuntos que ninguém quer falar. Chelsea nos leva aos lugares mais críticos onde alguns problemas acontecem, como Jerusalém ou até o Vale do Silício, para falar com bom humor sobre a linha tênue entre o que é politicamente correto e o que é simplesmente uma boa piada na visão dela, que muitas vezes pode ser mal interpretada pelos grupos que defendem aquela causa. Ela também conversa com autoridades nos assuntos e até com pessoas familiares e pessoas que passaram por sua vida para entender o ponto de vista de cada um. O episódio 3, o mais forte deles, fala sobre racismo, é um dos melhores da série nesse sentido, mostrando que as “minorias” são representadas pelas maiorias, oras, porque um branco discute sobre o que é preconceito ou não? Pois é.

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Com alguns convidados especiais e a abertura para expor suas crises e questionamentos existenciais, Chelsea consegue fazer uma boa série que mostra maturidade para aceitar suas falhas e discutir sobre elas. É muito fácil se identificar com várias situações que ela apresenta, como no episódio 2, que fala sobre tecnologia. Nada costuma funcionar na mão dela, e pra quê usar Skype, se ele trava toda hora? Tenho certeza que todo mundo pensa isso de seu aparelho celular, computador, ou qualquer aplicativo que promove um facilitador tremendo, mas que não funciona como você espera.

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O primeiro episódio que fala sobre casamento faz uma das melhores análises da série, quando Chelsea vai a uma escola e conversa sobre isso com as crianças, que por mais ingênuas ainda, surpreendentemente observam e sabem muito sobre relacionamento, promovendo várias risadas. Ao mesmo tempo que incomoda, também esclarece muitas questões das nossas heranças culturais, que ainda hoje são fortes, mas claramente ineficientes.

Chelsea Does, é mais uma ótima produção original da Netflix, que completa seu elenco com uma das melhores.

Nota:

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Sobre Felipe Cavalcante
Formado em RTV, fã de boas músicas e boas histórias, sempre em busca de coisas novas e empolgantes. Obcecado por super-heróis e pela magia do impossível que se torna real nas telas da TV e do cinema.