QpQ Resenha | Demolidor – 2ª Temporada

"Demolidor" retorna na segunda temporada com mais violência e uma trama que acerta em cheio

Assim que terminei os treze episódios da segunda temporada de Demolidor, eu fiquei pensando em como contaria essa experiência. Bem, são tantos detalhes, que eu resolvi começar falando sobre crossover. Uma tática antiga dos quadrinhos, que junta vários personagens em uma só história, transformando aquela trama, em um evento. Hoje, o cinema e a tv estão aprendendo a fazer o que as HQs fazem desde os anos bolinha. A Marvel começou por estabelecer seu universo compartilhado e criar o tom para suas produções, assim como a série da Netflix sobre o demônio de Hell´s Kitchen, que devido o sucesso da primeira temporada, se adiantou em preparar a segunda, assim que possível. Essa pressa, não foi algo ruim e nem prejudicou a série, até porque esse tal crossover que eu mencionei, foi devidamente pensado e encaixado para ser algo maior.

ElektraDaredevil

Bem, então partimos de onde parou a trama sobre a tomada do submundo do crime por Wilson Fisk (Vincent D´Onofrio) e como a cidade se recuperou de toda a corrupção que ele dizimou sobre a cidade. Além disso, alguns ganchos envolvendo a presença de Stick (Scott Glenn), o treinador e figura paterna de Matt Murdock (Charlie Cox), seguiram em frente com reviravoltas. Agora fora isso, entra o crossover, que inclui nesse enredo, Frank Castle/Justiceiro (Jon Bernthal) e também a grata presença de Elektra (Elodie Yung), um amor do passado na vida do herói. Ambos personagens extremamente violentos, que tem suas próprias sagas, mas que seus caminhos conversam entre si, vez ou outra. O primeiro, é um homem que perdeu sua família num esquema inescrupuloso de chacina, a segunda, é uma assassina de elite, herdeira grega de uma fortuna e com um destino que não é dos melhores. Foi bem interessante e surpreendente ver como esses anti-heróis se encaixaram na trama do Demolidor, respeitando sua própria linguagem retirada dos quadrinhos mas casando com a narrativa particular da série.

daredevil-ed

Como leitor de quadrinhos, foi possível relacionar várias sequências, posições de câmera e grafismos, com imagens tiradas das HQs. Como as matanças do Justiceiro, que possuem uma assinatura idêntica, que os fãs podem pirar. O caráter duvidoso de Elektra também foi muito bem explorado. O reflexo de uma mulher perdida, que possui uma grande escuridão dentro de si e que pode explodir a qualquer momento. Seu retorno na vida de Matt também apresentou um lado do herói que ainda não havíamos visto, uma vulnerabilidade sem desculpa e um sentimento de liberdade que só os dois juntos podiam criar.

1280_daredevil_season_two_elektra_elodie_yung

Desta vez, o Demolidor vai ajudar Elektra a enfrentar uma organização antiga que está tomando a cidade de Nova York com um objetivo obscuro e incerto, eles se intitulam como A Mão. Se você se lembra da cena memorável de luta entre Matt e Nobu (Peter Shinkoda) na primeira temporada que deixou o herói aos cacos, espere por aquilo em escala de exército.

1037988

Já o papel de mocinha, ficou a cargo da irritante Karen Page (Deborah Ann Woll), a protegida da dupla de advogados Matt e Foggy (Elden Henson). Conforme a trama se desenrola, ela se transforma em uma espécie de Lois Lane, que está sempre na linha de fogo, mas não baixa a guarda e continua indo atrás de encrenca. Mas isso tem seu lado bom, ela conduz parte da história de Frank Castle para descobrir o que realmente aconteceu com ele.

Marvel's Daredevil

Claro que, mesmo tendo sua liberdade criativa, a série integrou boa parte do universo das séries da Marvel com a Netflix, com referências a Jessica Jones, Luke Cage e também o retorno da enfermeira Claire Temple (Rosario Dawson), que conecta todas as séries, até chegar ao encontro dos heróis em Os Defensores. Outros personagens do primeiro ano ganham mais destaque dessa vez, como o sargento Brett Mahoney (Royce Johnson) e até mesmo Foggy, ganha mais destaque e se mostra ser um herói da sua própria maneira.

daredevil-1748x984

Por fim, Demolidor deixa de lado a burocracia e nos pergunta “o que é ser um herói?”. Heroísmo está em todos os lugares, em todas as ações, e nas mãos de qualquer pessoa que esteja disposta a fazer aquilo que é necessário. É com esse conceito que a segunda temporada entrega não só um seriado que todo mundo vai comentar no trabalho ou na aula, mas uma série feita por quem entende o que os fãs querem ver e o que vai surpreendê-los e deixá-los de boca aberta quando virem tudo que eles cresceram lendo, virando realidade.

Nota:

Please follow and like us:
Sobre Felipe Cavalcante
Formado em RTV, fã de boas músicas e boas histórias, sempre em busca de coisas novas e empolgantes. Obcecado por super-heróis e pela magia do impossível que se torna real nas telas da TV e do cinema.