QpQ Resenha | Cloverfield – Monstro

"Cloverfield - Monstro" é um excelente filme do estilo "shaky cam", com monstros, Manhattan, explosões - ou seja, o pacote todo :)

Você está em uma festa, de boas, curtindo com a galera, quando de repente vê pela TV, ao vivo, um navio naufragando perto de onde você está. Até aí tudo bem, pois navios naufragam todos os dias, né não? Mas aí você também ouve que tem alguma coisa a mais acontecendo na região, e todo mundo decide correr pro topo do prédio pra dar uma espiadinha. Lá vocês presenciam umas explosões horrorosas, e quase são atingidos. Vocês saem do prédio o mais rápido possível e continuam a acompanhar as explosões de longe, na rua. De repente, um dos detritos de uma grande explosão vem voando em sua direção. Ao atingir a rua, você reconhece aquele grande pedregulho: é a cabeça da Estátua da Liberdade. Você: A) sai correndo; B) liga pra polícia; C) vai tirar uma foto ou gravar um vídeo da cabeça, pois precisa postar nas redes sociais o mais rápido possível. Bom, a galera de Cloverfield – Monstro, de 2008, optou por C. 🙂

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Ah, os filmes estilo “shaky cam” (câmera tremida) do final da década de 1990 e início dos anos 2000… deixaram saudade, ou não? Teve muita coisa boa, como A Bruxa de Blair (1999), REC (2007), a versão americana de REC, Quarentena (2008), Atividade Paranormal (2007), entre outros. E Cloverfield – Monstro é um deles, da leva de filmes bons. Ele acompanha a festa de despedida de Rob (Michael Stahl-David), que acabou quando a cidade de Nova York começou a ser atacada por uma criatura desconhecida (e gigantesca!). E pra quem pensa que o foco é na criatura e suas desventuras, está muito enganado. O filme gira em torno de Rob e alguns amigos, como Marlena (Lizzy Caplan), Lily (Jessica Lucas) e Hud (T.J. Miller), que vão em resgate da ex-namorada de Rob, Beth (Odette Annable), que está presa em seu apartamento por causa do ataque do monstro. E eles vão passar por muitas dificuldades a caminho do lugar, e tudo vai ser devidamente registrado por Hud e sua filmadora.

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O filme pode parecer meio bobo por ter uma criatura gigante atacando Manhattan (que já virou meio clichê, né, não?), mas neste filme, como já comentei lá em cima, o foco não é o monstro. Tanto que nem vemos imagens do monstro como um todo, nem sabemos quem ele é ou de onde veio, nem estamos a par dos planos mirabolantes do exército para destruir a criatura. Sabemos o básico e assim ficamos por quase todo o filme, pois a trama acompanha Rob e seus amigos tentando resgatar Beth. E é por isso que o filme é bom. Essa turma vai se envolver em tantos desafios (andar por túneis escuros do metrô, onde os ratos deixaram de ser o real perigo, correr pelas ruas tomadas de militares lutando contra o monstro, escalar um prédio tombado, entre outros) que você não vai ter um segundo pra respirar. E o toque final fica com a câmera, naquela busca infinita da experiência real do movimento “shaky cam”.

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E falando na câmera, uma coisa muito interessante no filme é o foco na tecnologia, do começo ao fim. Quando a confusão começou, ninguém ainda sabe o que está acontecendo e todos tentam registrar os acontecimentos com seus celulares (inclusive tirando fotos da cabeça da Estátua da Liberdade, conforme comentei lá no começo). Depois, Rob recebe uma ligação de Beth em um momento decisivo do filme, e os amigos mudam sua rota. O celular de Rob está sem bateria e, para não ficar incomunicável, ele corre para uma loja de equipamentos para conseguir um cabo. Acompanhamos tudo que está acontecendo com Rob, Marlena, Lily e Hud através das lentes da câmera de Hud. Além disso, ainda vemos pela TV muitas das informações sobre o monstro e as providências sendo tomadas pelo governo para combater o problema. Ou seja, a tecnologia é a base de tudo e, sem ela, a trama do filme não existiria. Nada mais justo pra época, ou nada mais atual do que hoje, que não vivemos um segundo sem tecnologia.

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Então fica a dica, até mesmo porque o filme está disponível no Netflix (lembra que eles entram e saem do Netflix, então corre conferir enquanto ele está lá!). Juro que vai ter muito suspense e aventura, suficientes pra te manter sem piscar por 1h25 (brincadeirinha, calma hahaha). Isso se você não enjoar com a porcaria da câmera se mexendo o tempo todo, ou ficar puto porque o Hud virou a câmera bem na hora que o monstro ia ficar bem em foco na sua tela.

Nota:

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Sobre Melissa Correa
Cinema sempre foi minha maior paixão, sempre fez parte de quem eu sou. Quando criança, eu levantava pra ver filmes de terror de madrugada, escondida. Ficava até três da matina (bendito fuso horário de Los Angeles!!) pra acompanhar o Oscar. E salvava cada centavinho pra ver os filmes no cinema. Hoje também curto viajar, beber café e ler, mas o cinema continua em primeiro lugar na minha vida.