QpQ Pipoca Zumbi | Christopher Lee e Vincent Price

Os monstros do terror, Christopher Lee e Vincent Price, fariam aniversário hoje e por isso preparamos essa Pipoca Zumbi

Não tem jeito melhor de comemorar o aniversário de duas feras dos filmes de terror do que assistindo a seus filmes. Tá, tá… Christopher Lee e Vincent Price (talvez o primeiro mais que o segundo) fizeram muito mais do que filmes de terror. O Lee, por exemplo, é mais conhecido hoje como o Saruman de O Senhor dos Anéis ou como o conde Dookan de Star Wars do que como o Drácula. Tudo bem, eu sei. Mas esta aqui é um coluna de terror, então eu decidi falar sobre os clássicos de terror dos dois, ok? Às favas com a democracia 😉

Vincent Price

Primeiro de tudo, vou deixar bem claro que o Price é meu ídolo desde sempre. A primeira vez que entrei em contato com ele foi na década de 1980. E não foi através de um filme, que viria anos mais tarde. Foi com a voz dele, na canção Thriller, do Michael Jackson . Primeiro fiquei intrigada com aquela voz que não era a do cantor. Uma voz profunda, de dar medo, que parece que recitava um profecia. Claro que na época eu não entendia bulhufas de inglês, então a coisa toda me deixava com mais medo ainda. Que será que ele tá dizendo? Só fui obter a resposta pra essa pergunta muitos anos mais tarde, e aí entendi que tinha razão pra ter medo :p
Mas o cara não é só uma voz, claro. Ele atuou em mais de cem filmes, entre eles dramas (como Edward Mãos de Tesoura, três anos antes de ele morrer), comédias, e filmes de terror, lógico. E ele era um especialista em terror, seja por sua presença, que tomava conta da tela e convencia, seja por sua voz, seja por uma conjunção de fatores. Uma vez ele disse que sentia que estava “personificando o obscuro inconsciente da humanidade”. E ele gostava disso, e sabia fazer isso como ninguém.

Então vamos aproveitar e conferir cinco filmes incríveis do ator:


house of wax

MUSEU DE CERA (House of Wax, 1953)

Este é um dos meus filmes preferidos do Price, um daqueles que você pode mostrar pros amigos em 1990, 2000 ou em 2020, e vai continuar sempre agradando a galera. A história é bem interessante, envolvendo vingança, morte e muito Vincent Price, o trabalho de maquiagem é excepcional, e o filme foi um dos primeiros em 3D da história. Não precisa de mais motivos pra ver, né?


house on the haunted

A CASA DOS MAUS ESPÍRITOS (The House on the Haunted Hill, 1959)

Este filme é um clássico de terror, seja porque o tema é um dos mais batidos na história do gênero (uma casa infestada de fantasmas, uhuuuu), seja porque foi dirigida pelo incrível William Castle (com quem Price fez muitas parcerias), ou porque teve Price no elenco. Em 1999 até tentaram fazer uma nova versão do filme, mas sorry, não funcionou. O clássico ainda é muito melhor. E nas sessões originais do filme, um esqueleto passava voando por cima das cabeças do público! Gente, que tudo!!!


the tingler

FORÇA DIABÓLICA (The Tingler, 1959)

Putz, quando alguém me pergunta para onde eu gostaria de ir se tivesse uma máquina do tempo, bem, senhoras e senhoras, eu gostaria de ter ido a uma sessão original do filme lá na Califórnia. A história do filme não é lá muito assustadora, mas quando o filme saiu nos cinemas, as sessões originais contavam com um esqueminha: algumas cadeiras tinham um aparelhinho que dava um tipo de choque quando o tal do “tingler” aparecia na tela. Nem precisa dizer que a galera se assustava pra valer. Ah, esqueci de mencionar que esta foi outra parceria entre Price e Castle (só sucesso!).


dr phibes

O ABOMINÁVEL DR. PHIBES (The Abominable Dr. Phibes, 1971)

Mais um filme sobre vingança, com muitas mortes e um Vincent Price super cool e articulado. Vale também pela maquiagem excepcional, figurinos e cenários com cara de década de 1970 (se você tiver um pesadelo se passando na década de 1970, claro).


poe

VINCENT PRICE e EDGAR ALLAN POE

Além das parcerias com o incrível William Castle, Price também trabalhou muito com o mestre da literatura de terror, Edgar Allan Poe! Bom, não trabalhar, trabalhar, ele trabalhou com as obras do homem (bom, até onde sei, claro), e os resultados foram incríveis. Sei que me comprometi a sugerir cinco filmes, mas não poderia deixar de citar seis dos resultados dessa parceria incrível com o Poe. Os seis são incríveis, não tenho nem como escolher (tá bom, A Orgia da Morte é meu preferido, seguido de O Solar Maldito e O Poço e o Pêndulo… se bem que Muralhas do Pavor tem Peter Lorre, o eterno Vampiro de Düsseldorf, e O Corvo tem Boris Karloff e Peter Lorre de novo, e Túmulo Sinistro tem gato preto e Price de óculos escuros, impossível não ver todos!):

  • O SOLAR MALDITO (The Fall of the House of Usher, 1960)
  • O POÇO E O PÊNDULO (The Pit and the Pendulum, 1961)
  • MURALHAS DO PAVOR (Tales of Terror, 1962)
  • O CORVO (The Raven, 1963)
  • A ORGIA DA MORTE (The Masque of the Red Death, 1964)
  • TÚMULO SINISTRO (Tomb of Ligeia, 1964)

Christopher Lee

Enquanto os filmes de monstro nos Estados Unidos, a maioria feito pela Universal, fizeram sucesso entre as décadas de 1920 e 1950, na Inglaterra eles foram feitos na década de 1960, pela Hammer. E Christopher Lee foi o cara que personificou brilhantemente Drácula, Múmia e Frankenstein pra Hammer, ficou famoso e foi continuar a carreira em Hollywood (e o resto é história pra Bilbo Bolseiro escrever).

Que tal conferir alguns filmes de terror desse gênio e assistir algo diferente de O Senhor dos Anéis e Star Wars pra conferir o trabalho do ator? Bora lá 😉


curse

A MALDIÇÃO DE FRANKENSTEIN (The Curse of Frankenstein, 1957)

Além da participação incrível de Lee como o famoso monstro neste filme, ele tem alguns outros méritos: foi o primeiro filme de terror da produtora inglesa e o primeiro Frankenstein em cores para o cinema (além de ser a primeira parceria entre Lee e Peter Cushing). Vixe, isso foi um puta desafio, já que fica bem mais fácil pra maquiagem mostrar um monstro de pele de gente morta em preto e branco. E se não bastasse, a Universal ainda ameaçou processar a Hammer se o Frankenstein de Karloff fosse copiado. Mas Lee tirou de letra, fez um Frankenstein bem mais humano e crível, que entrou pra história do cinema de horror.


dracula

O VAMPIRO DA NOITE (Dracula, 1958)

Neste filme, Lee interpreta Drácula e Cushing, Van Helsing, e os dois estão em interpretações de arrasar quarteirão (este é considerado uma das melhores versões de Drácula para o cinema). Lee está muito sexy (nada melhor que um Drácula que conquista suas vítimas, né, não?) e ao mesmo tempo arrepiante. Além disso, o filme tem doses balanceadas de terror, humor e romance. Vale a pena conferir 😉


the-mummy

A MÚMIA (The Mummy, 1959)

Ver todos estes monstros em cores pela primeira vez (e ainda sem a tecnologia da computação gráfica, ufa!) é sensacional, e a Hammer ainda arrasou trazendo Lee todo enfaixado como a múmia. E de novo temos a duplinha Cushing e Lee, Cushing cuidando dos diálogos (ele é o filho do pesquisador que descobre a múmia) e Lee, apesar de todo enfaixado, fazendo um excelente trabalho de expressão corporal (de múmia) e facial (os olhos dele dizem muito!).


the devil

AS BODAS DE SATÃ (The Devil Rides Out, 1968)

Fãs do filmes de terror que não têm monstro, alegrai-vos! Diferente dos primeiros filmes da Hammer, este aqui é mais sério, com rituais e cenas que vão congelar seu sangue (dentro dos padrões estéticos dos anos 1960 e sem efeitos especiais, lembra disso). Lee está incrível, com uma excelente atuação durante todo o filme, mas não como o vilão. Mesmo assim ele continua dando medo 😮


wicker

O HOMEM DE PALHA (The Wicker Man, 1973)

Olha o Lee nos Estados Unidos! E só por ser americano, este filme já é bem mais famoso que os outros que eu citei até agora (que lástima…). Mas tudo bem, ele é ótimo também, e Lee faz o cara mau (eu prefiro quando ele é o vilão, vocês, não?). O filme tem uma ótima história, é esquisitão pra caramba (coisas esquisitas dão medo), está repleto de closes nada confortáveis, rituais e gente de máscara (certeza que o filme não é inglês, não?). Não fez dinheiro na época, mas envelheceu bem e hoje é um clássico (e bem melhor que a versão com o Nicolas Cage de 2006. Na verdade, você deveria ficar longe dessa versão. Mesmo).


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Sobre Melissa Correa
Cinema sempre foi minha maior paixão, sempre fez parte de quem eu sou. Quando criança, eu levantava pra ver filmes de terror de madrugada, escondida. Ficava até três da matina (bendito fuso horário de Los Angeles!!) pra acompanhar o Oscar. E salvava cada centavinho pra ver os filmes no cinema. Hoje também curto viajar, beber café e ler, mas o cinema continua em primeiro lugar na minha vida.