QpQ Resenha | Florence: Quem é Essa Mulher?

Stephen Frears mostra a vida de Florence, desafinada, porém obstinada cantora conhecida como "a diva do grito", em "Florence: Quem é Essa Mulher?"

Florence: Quem é Essa Mulher? esclarece quem foi Florence Foster Jenkins, de maneira muito diferente daquela escolhida para o filme em francês Marguerite (leia a resenha clicando aqui). Enquanto lá vemos uma versão com um tom muito mais intimista e melancólico, aqui vemos uma comédia com momentos dramáticos, e uma Florence bem ingênua, mas que parece aceitar melhor os percalços da vida.

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Florence foi uma mulher muito rica, herdeira de uma fortuna, e podia basicamente comprar a atenção e devoção alheia – o que seu marido, St. Clair (Hugh Grant), fazia sem que ela o soubesse. Nascida em 1868, foi nos anos 40 que sua grande paixão pela música se manifestou em uma vontade incontrolável de ser cantora lí­rica. Mas era extremamente desafinada, recebendo inclusive o apelido do público de “a diva do grito”.

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A grande Meryl Streep interpreta uma Florence muito doce e ingênua. Vemos sua rotina com o marido, que parece ter um grande amor não romântico pela mulher. St. Clair mantém uma amante, Kathleen (Rebecca Ferguson), o que parece um acordo relativamente moderno para a época, mas Florence de vez em quando sente sua falta e, nessas horas, ele dá um jeitinho de estar junto com sua esposa.

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Talvez pelo carisma de Hugh Grant, St. Clair nessa versão divide a cena com Florence, mostrando-se uma figura extremamente importante em sua vida, diferente de Marguerite, onde ele mal aparecia. Também descobrimos mais sobre sua vida pessoal, como por exemplo o fato de ela ter contraí­do sí­filis de seu primeiro marido.

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O fio condutor desta narrativa é o pianista contratado para acompanhar Florence em suas aulas de canto, Cosmé McMoon (Simon Helberg, de Big Bang Theory). Descobrimos junto a ele que Florence é péssima cantora, e vemos seu dilema entre continuar sendo um pianista sem fama ou tornar-se um pianista com má fama. Uma decisão difí­cil, mas a vida é feita de escolhas, não é mesmo?

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E assim acompanhamos a história desta mulher que cantou com o coração sem saber que estourava alguns tí­mpanos ao mesmo tempo que proporcionava sessões de gargalhadas histéricas das plateias para as quais se apresentava. Uma vida inteira sendo protegida da verdade torna ainda mais simbólica a imagem de Florence como um anjo, berrando no Carnegie Hall. Não deixe de assistir as duas versões, a francesa e a americana, ambas em cartaz nos cinemas.

Nota:

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Sobre Marcela Sachini
Libriana (portanto, indecisa), sou viciada em seriados (inclusive sul-coreanos), apaixonada por idiomas, música e literatura. Moraria em Notting Hill com toda a certeza, só esperando um convite do Henry Cavill para isso. Fui ao cinema pela primeira vez com 6 anos. Foi amor à primeira vista, desde então não parei mais.