QpQ Resenha | Caça-Fantasmas

Com piadas de timing perfeito, cameos e muita nostalgia, "Caça-Fantasmas" entrega um filme íncrível, pra curtir mais de uma vez

Certos filmes marcam tanto uma geração que entram pro imaginário coletivo. Por exemplo, você finge estar se esquivando de balas, e boom, lembra de Matrix; fala “E.T., telefone, minha casa”, e boom, lembra de E.T.; fala “Eu sou seu pai”, e lembra de Star Wars. E quando alguém canta “Who you gonna call?”, você instantaneamente responde Ghostbusters. Acredito que sim, pois Caça-Fantasmas marcou a infância de um zilhão de gentes por aí. A minha, com certeza. Aí é difícil quando alguém anuncia uma sequência, ou que vai refilmar o longa. E que vai trazer quatro mulheres no lugar dos caras do filme de 1984. Putz, talvez não funcionasse, mas funcionou! Caça-Fantasmas, com Melissa McCarthy, Kristen Wiig, Leslie Jones e Kate McKinnon (galera em peso do Saturday Night Live), dirigidas por Paul Feig (que também ajudou no roteiro, que é de Katie Dippold), chega aos cinemas brasileiros, e você vai curtir o filme. Pra caramba 😀

O filme tem uma história muito parecida com a do primeiro filme, de 1984 (que, diga-se de passagem, é o único Caça-Fantasmas que prestava, até hoje, já que o segundo não serve pra nada), mas ao mesmo tempo traz novos elementos pra história, ao mesmo tempo em que traz elementos de outros filmes (loucura total!). Mas basicamente seguimos a doutora Erin Gilbert (Kristen Wiig), uma professora de física da Universidade de Colúmbia tentando uma cátedra. Além do trabalho duro, ela tem que aguentar o machismo horroroso da academia e fingir que não tem um passado. Mas quando os fantasmas literalmente saem do armário, e um livro que ela escreveu com sua colega de escola, Abby Yates, ressurge, ela acaba tendo que desistir de sua carreira e reassumir suas paixões de infância. Junto com a amiga de Abby, Jillian Holtzmann (Kate McKinnon), uma techie malucona que bola as engenhocas do novo grupo que está se formando, e Patty Tolan, uma funcionária do metrô que sabe cada detalhezinho sórdido da história de Manhattan, elas vão caçar muitos fantasmas.

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Mas se é basicamente uma refilmagem, o que tem de tão especial nesta versão de Caça-Fantasmas? Ah, tudo, começando pelas atrizes. Botar quatro comediantes experientes juntas só podia dar samba, lógico. Melissa McCarthy e Kristen Wiig não precisam de apresentações, pois estão em diversas comédias que adoramos (como Melissa e seu último trabalho como Susan Cooper em A Espiã que Sabia de Menos, quem não amou?), e arrasam em Caça-Fantasmas, com timing perfeito, e piadas que vão fazer você chorar de rir, enquanto outras vão te fazer refletir (depois de chorar de rir), e outras ainda vão abalar as estruturas sociais (arrasou!). De cara, logo no começo do filme, Gilbert está tão preocupada em conseguir sua promoção que nem discute quando seu chefe reclama de suas roupas. Ela até mesmo comenta, “muito sexy para a academia, né?”. Não, claro. Bom, com atrizes e uma roteirista mulher, Katie Dippold (que também trabalhou no roteiro de A Espiã que Sabia de Menos), não tinha como ser diferente. Ainda bem.

Além das piadas sensacionais, vale falar um pouquinho sobre os cameos, as referências e tudo o mais. Tem muitas. Cada detalhezinho que você julgar importante no primeiro filme está neste, incluindo música, monstros, personagens e tal, e basicamente tudo vai servir como material para mais piadas. Uma das que mais gostei foi com o QG do grupo. Depois de serem expulsas da universidade (que não é Colúmbia, como no primeiro filme, mas uma bem menos prestigiosa), que na verdade nem sabia que as cientistas ainda pesquisam um tema tão desacreditado como o sobrenatural no campus, elas vão procurar um novo lugar. Sabe onde elas acabam? É, sim, você decifrou o enigma: no QG dos Ghostbusters de 1984, aquele icônico prédio do corpo de bombeiros. A Dra. Gilbert, Abby e Jillian ficam alucinadas, fazem dancinhas de felicidade, até a corretora mencionar o valor do aluguel de 21 mil dólares por mês e a gangue parar no segundo andar de um restaurante chinês. Ha!

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Ah, e tem também o Thor, Christopher Hemsworth, como o recepcionista do grupo, Kevin Beckman, fazendo uma incrível versão da nossa adorada Janine Melnitz (interpretada em 1984 por Annie Potts). De repente puxaram o personagem um pouquinho demais, transformando Kevin em um idiota tão idiota que fica difícil de acreditar. Mas não foi basicamente isso que aconteceu com Janine em 1984, que era bonita, mas uma completa perdida? De qualquer forma, ele tá hilário, além de ser um colírio pros olhos (e o filme enfatiza isso com todas as forças) e fazer até mesmo alguém tão inteligente quanto a Dra. Gilbert beber um café com baba dele.

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Bom, vou parar de falar, antes que comece a dar mais spoilers. O filme tá sensacional, vale muito a pensa conferir. Mas vá sem pré-conceitos, vá de coração aberto. Fica susse que o clássico, aquele com Bill Murray, Dan Aykroyd, Harold Ramis e Ernie Hudson, sempre vai ter um lugarzinho em nossos corações, no imaginário coletivo, nos livros de história do cinema. Isso ninguém vai tirar dele. Mas tá na hora de uma nova geração ter um clássico à altura dos novos tempos, né, não? Cause I ain’t afraid of no ghost 😉

Nota:

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Sobre Melissa Correa
Cinema sempre foi minha maior paixão, sempre fez parte de quem eu sou. Quando criança, eu levantava pra ver filmes de terror de madrugada, escondida. Ficava até três da matina (bendito fuso horário de Los Angeles!!) pra acompanhar o Oscar. E salvava cada centavinho pra ver os filmes no cinema. Hoje também curto viajar, beber café e ler, mas o cinema continua em primeiro lugar na minha vida.