QpQ Resenha | O Diabo Mora Aqui

O terror nacional "O Diabo Mora Aqui" traz os velhos clichês hollywoodianos com uma pitada generosa de tempero tupiniquim, que resulta em um filme surpreendente

Tchurminha decide passar o final de semana em uma casa afastada, que possivelmente é mal-assombrada por tudo que aconteceu ali no passado. Detalhe: na noite em que eles chegam, é aniversário do ritual supermacabro que ocorreu ali na casa. Aí os amigos decidem desenhar um pentagrama no porão, acender algumas velas e invocar alguns espíritos. E a coisa fica feia, lógico. É, você já ouviu essa história antes. Mas agora ela vem uns temperos bem brasileiros e vai com certeza te surpreender. Abram alas para O Diabo Mora Aqui, dirigido por Rodrigo Gasparini e Dante Vescio, que já trabalharam juntos em dois outros projetos de terror.

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Bom, a história já tá toda ali no parágrafo de cima, mas o twist são os eventos passados: a casa afastada era uma fazenda no interior de São Paulo, não de um barão do café, como de costume, mas do Barão do Mel. E o cara não era flor que se cheire, que torturava seus escravos usando mel, abelhas, formigas… ou seja, a coisa não era bonita. Mas aí um dos escravos se revolta, e o resto é história.

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O filme tem algumas coisas muito interessantes, como os elementos regionais e as lendas. Vale lembrar que o Brasil tem lenda pra chuchu, muita coisa pra explorar, e espero que muitos outros filmes de terror sigam essa linha. E como filmes muito artísticos acabam sendo considerados trash e sofrem preconceito das grandes massas, este filme apostou no que é porto seguro e investiu em muitos clichês hollywoodianos de terror. Ué, e funcionou! A história é convincente, os sustos são ótimos, o clima de terror é sensacional e você consegue ficar de olhos grudados na tela do começo ao fim. Sucesso!

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Claro que tem uns pormenores, mas ah, que filme de terror não tem? Algumas partes do roteiro não convencem e a continuidade ficou devendo (sempre odeio quando uma parte da história está ocorrendo enquanto todas as outras estão em suspensão… ). Mas pra um filme de baixo orçamento, os cenários estão incríveis, a iluminação é de gelar o sangue, trilha sonora ótima, apesar das atuações deixarem um pouquinho a desejar.

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Botando tudo na balança, o filme vale a pena, sim. Ele tem 1h15 (15 minutos a menos do que a maioria dos filmes de terror que estamos acostumados a ver), mas é 1h15 bem intensa. Corre pro cinema prestigiar mais uma produção nacional sensacional de terror. E ficamos esperando por uma sequência aí, de repente.

Nota:

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Sobre Melissa Correa
Cinema sempre foi minha maior paixão, sempre fez parte de quem eu sou. Quando criança, eu levantava pra ver filmes de terror de madrugada, escondida. Ficava até três da matina (bendito fuso horário de Los Angeles!!) pra acompanhar o Oscar. E salvava cada centavinho pra ver os filmes no cinema. Hoje também curto viajar, beber café e ler, mas o cinema continua em primeiro lugar na minha vida.