QpQ Resenha | Vidas Partidas

Vidas Partidas mostra as feridas da violência doméstica em uma família, inspirada em histórias de muitas bravas mulheres

Vidas Partidas é um filme difícil de assistir. Seja você mulher ou ser humano de uma maneira geral, é duro ver uma mulher sofrer abuso sistêmico e não poder fazer nada, mesmo que seja na ficção, porque no fundo sabemos que é de fato o retrato de uma realidade cruel e que persiste até os dias de hoje, por todo o mundo.

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Esse filme vem em um momento crucial, quando a lei Maria da Penha completa 10 anos (7 de agosto de 2006). É com um sentimento de profunda tristeza que vemos notícias como a de Luíza Brunet sendo espancada ou de meninas saindo de uma balada sertaneja sendo espancadas por – tristeza ainda maior – outra mulher, a mando de caras que não aceitaram um “não” como resposta.

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Aqui temos Graça (Naura Schneider) e Raul (Domingos Montagner), um casal que se apaixona perdidamente e embarca numa relação bastante intensa e, quando vemos, já estão casados e com duas filhas. Aí as coisas começam a desandar. Raul se mostra ciumento demais, evidentemente incomodado com o brilho e a alegria que sua mulher demonstra não só com ele, mas em seu dia a dia.

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Graça passa a viver um verdadeiro inferno a partir do primeiro ato denunciando a instabilidade de Raul, contra a própria filha. Além da tortura psicológica, logo ele parte para o abuso físico. É uma sensação angustiante ver o esforço de Graça em se livrar do marido, mas não ter o amparo da lei. Lembrando que o filme se passa em uma época sem celular, com pouca discussão a respeito da violência doméstica, pouca proteção dada às vítimas.

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O filme mostra o julgamento de Raul anos depois do início do inferno perpetuado em casa. Com cenas que remetem até mesmo a “O Iluminado” de Kubrick, a direção consegue construir um sentimento de claustrofobia em relação ao agressor. Só no Brasil, há uma denúncia de violência doméstica contra mulher a cada 7 minutos. Filmes como esse colocam uma luz sobre o que é viver em constante abuso. Vale a pena assistir, mas se você é como eu, prepare-se para o embrulho no estômago com algumas cenas.

Nota:

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Sobre Marcela Sachini
Libriana (portanto, indecisa), sou viciada em seriados (inclusive sul-coreanos), apaixonada por idiomas, música e literatura. Moraria em Notting Hill com toda a certeza, só esperando um convite do Henry Cavill para isso. Fui ao cinema pela primeira vez com 6 anos. Foi amor à primeira vista, desde então não parei mais.