QpQ Resenha | As Consequências do Amor

"As Consequências do Amor" faz um estudo profundo e trágico do amor

Você trabalha de segunda a sexta (alguns aos finais de semana também). Consegue driblar o cansaço e ir à academia, pra manter a saúde e perder aqueles quilos extras antes do próximo verão. Se essa não é sua praia, você chega em casa e lê um livro ou liga o Netflix e relaxa um pouco. Sai com os amigos às noites e/ou finais de semana e é isso. Cenas de um dia a dia comum atualmente. Cada um muito preocupado com sua própria vida para se abrir para potenciais relações amorosas. Por que isso? Porque o amor, assim como pode ser maravilhoso, também pode ser desastroso. Pode quebrar essa rotina calculada e tranquila para promover um rebuliço interno, sensações que o fazem questionar sua vida, suas decisões.

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As Consequências do Amor é um filme de 2004 de Paolo Sorrentino que segue essa teoria. Titta di Girolamo é um cara de meia idade que tem uma rotina planejada, misteriosa e solitária. Nunca sorri, vive observando o mundo ao seu redor, sem interagir com o mesmo em um nível mais profundo, apenas superficialmente. Todo dia ele pega seu carro importado, sai com uma maleta suspeita para algum local e depois volta ao quarto de hotel. Às vezes fica no bar do hotel, onde deliberadamente ignora a bela garçonete, Sofia. Seu irmão um dia vem visitá-lo e sabemos que ele tem uma família, mas o mistério perdura.

Titta se mostra entediado com a vida, apenas existindo. Tudo muda quando Sophia resolve tirar satisfação do porquê de sua indiferença em relação a ela. Então ele sai de sua zona de conforto e se arrisca, decide viver esse amor. Aí o caldo entorna e descobrimos o porquê de sua rotina, o porquê de sua indiferença e tédio.

Foto oficial As Consequencias do amor

A trama é muito bem desenvolvida, deixando um ar de mistério em boa parte do filme. As cenas são delicadas, com a câmera fazendo caminhos peculiares, quase como se estivesse observando os locais e as pessoas e não apenas registrando de forma estática o que está acontecendo. Os cortes rápidos com uma trilha por vezes mais cálida e por vezes mais alucinante mantém a dinâmica do filme, a atenção do telespectador.

Não deixe de conferir essa história do diretor de A Grande Beleza, que nos convida a sair um pouco da nossa zona de conforto para ver uma visão mais trágica do amor, porém não menos impactante.

Nota:

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Sobre Marcela Sachini
Libriana (portanto, indecisa), sou viciada em seriados (inclusive sul-coreanos), apaixonada por idiomas, música e literatura. Moraria em Notting Hill com toda a certeza, só esperando um convite do Henry Cavill para isso. Fui ao cinema pela primeira vez com 6 anos. Foi amor à primeira vista, desde então não parei mais.