QpQ Resenha | Rondon, o Desbravador

"Rondon, O Desbravador" vale pela aula de história, mas peca cinematograficamente

Após o lançamento da minissérie Rondon, o Grande Chefe, eis que surge a ideia de transformar aquele conteúdo em um filme. Pois bem, cá estamos com Rondon, O Desbravador. Temos um elenco composto por Nelson Xavier, Rui Ricardo Diaz e Marcos Winter, além da direção de Marcelo Santiago e Rodrigo Piovezan.

Cândido Rondon (ou Marechal Rondon) foi um militar brasileiro super pacifista que tinha como lema a frase “morrer, se preciso for; matar, nunca”. Ele desbravou o oeste do país e foi responsável pela relação amigável entre os povos indígenas e os brancos daquela região. No fim de sua vida, foi indicado ao prêmio Nobel da Paz por suas conquistas.

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O longa se desenvolve a partir de uma conversa fictícia entre Rondon e o antropólogo Darcy Ribeiro. Como é uma narrativa moldura (bem no estilo Titanic, onde uma história vai puxando a outra), podemos conhecer vários capítulos da história do Marechal, desde seu nascimento até suas grandes aventuras. Mas isso não deixa o filme sem problemas…

Como previamente feito com o formato minissérie, o timing não fica muito preciso para um filme. Tudo soa muito caricato, desde as atuações até o roteiro. Também temos alguns erros de continuidade, então a edição final não é tão feliz assim. Nelson Xavier acerta, mas também erra, infelizmente. Como ele interpreta o protagonista em sua fase mais velha, ele faz com precisão a cegueira do personagem mas esquece de outros elementos, como as emoções, que deveriam ser mais afloradas.

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Para não deixar apenas a narrativa moldura como o diferencial do filme, vale dizer que a fotografia, as caracterizações e as locações foram muito bem feitas e escolhidas. A paleta de cores do filme é muito linda, o que não deixa o filme tão cansativo mesmo sendo mais denso. O filme também passa a impressão de que todos os registros históricos foram estudados com muito cuidado, pois ele passa muita veracidade para o espectador.

Portanto, Rondon, o Desbravador vale pela aula de história, para conhecermos um pouco mais sobre os heróis que já tivemos em nosso país. É um filme que não se precisa assistir pelo lado cinematográfico, por assim dizer. O conteúdo, no final das contas, é surpreendente e fala mais alto.

Nota:

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Sobre Bira Megda
Publicitário em formação, é apaixonado por cinema desde pequeno. Entre suas paixões do mundo cinematográfico, as obras de Steven Spielberg e os romances estrelados por Audrey Hepburn se destacam facilmente (mas não que um filme sangrento dirigido pelo Tarantino seja dispensável). Além disso, ama escrever sobre o mundo pop e colecionar filmes e livros. Por último, mas não menos importante, respira e come tudo relacionado ao universo Harry Potter. P.S.: ele também acha estranho escrever sobre si mesmo em terceira pessoa.