QpQ Resenha | O Homem nas Trevas

"O Homem nas Trevas" é um terror bem original e cheio de surpresas que vai manipular suas emoções do começo ao fim

Filmes de terror são uma caixinha de surpresa (quer dizer, preferencialmente, na verdade, pois os previsíveis a gente dispensa). Às vezes você vai ao cinema, vê um trailer, e pensa, putz, esse filme vai ser sensacional, vou passar muito medo, vou convidar todo mundo pra vir comigo. Mas aí você vai, cheio de expectativas, e o filme é uma bomba. Pra começar, as melhores cenas estavam na porcaria do trailer. E pra fechar com chave de ouro, o crush que você chamou pra ir no cinema com você consegue desvendar o final nos 15 minutos do primeiro tempo. E a droga do filme não valeu nem a pipoca. Mas tem uns que são como o lançamento de terror da semana, O Homem nas Trevas, que te deixam na beira da cadeira o tempo todo, que te dão taquicardia, que te fazem querer sair correndo do cinema sem nem olhar pra trás (ainda bem que o bofe tá lá pra segurar a sua mão!).

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Eu confesso que fui ao cinema sem expectativa alguma, pois um filme que acompanha três moleques (pra ser mais precisa, dois moleques e uma moleca), Rocky (Jane Levy), Money (Daniel Zovatto) e Alex (Dylan Minnette), em seus esqueminhas pra roubar casas de gente da grana em Detroit (que já virou meio que clichê no mundo do terror – lembra que ela foi pano de fundo também em Corrente do Mal? Leia a resenha aqui) e se dão mal não me soou muito convincente. Aí o filme começa, e vemos como o trio, apesar de ser muito amador, acaba se dando bem em um roubo. Aí o segundo parece mais fácil que o primeiro: entrar na casa de um homem cego (Stephen Lang, que na verdade faz o papel de um ex-fuzileiro cego, o que faz a coisa mudar de figura rapidinho) e roubar a grana que ele recebeu de um acordo judicial com a pessoa que matou sua filha em um acidente. Mas o lance vira rapidinho e o grupo de jovens descobre que o pobre velhinho cego está bem preparado para se defender, e eles são as prezas indefesas em seu território.

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O Homem nas Trevas é o resultado de uma segunda parceria entre o diretor uruguaio Fede Alvarez e o diretor/produtor Sam Raimi (eles já haviam trabalhado em 2013, na refilmagem de A Morte do Demônio – que ficou bem bacaninha, diga-se de passagem). Segundo Alvarez, o filme foi feito como um jogo de xadrez, com cada um dos jogadores dando lances mortais em suas jogadas. E você sente a coisa ter essa dinâmica mesmo, e não sossega até os créditos finais subirem. O filme é muito tenso, e nada melhor que o título original pra te dar uma ideia disso: Don’t Breathe – não respire, pois a verdade é que em certas partes do filme você tem que lembrar que precisa respirar 😮

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A história dos jovens assaltantes faz com que tenhamos certa empatia por eles (ou alguns deles, pelo menos). E Detroit é a cidade perfeita para acomodar essas histórias de famílias abusivas, drogas e violência. Logo no começo do filme, o trio dirige pela cidade e vemos casas abandonadas, mato alto nos quintais e uma casa que parece muito familiar (se você observar um pôster com personagens e casa ao fundo em O Homem nas Trevas e em A Corrente do Mal, vai notar que a semelhança é pouco confortável). Mas depois que entramos na casa com os jovens, a coisa muda de figura: lá dentro, o clima abandona qualquer vestígio de drama e vai fundo no terror, com ambientes escuros, janelas e portas com grades e cadeados, e uma casa que mais parece um labirinto, com a câmera adentrando cada cômodo como se estivéssemos jogando um game de terror em primeira pessoa.

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Como de praxe, não dá pra não falar: o filme tá recheado de clichês, tem furos no roteiro, blá blá blá. Qual filme de terror não tem? (tá, tá, sei que O Iluminado não tem, e O Exorcista também não, mas não estamos na década de 1980, se conforme). Vai assistir, o filme tá ótimo. Aproveita pra caprichar na pipoca e no chocolate, você vai precisar da energia extra 😮

Nota:

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Sobre Melissa Correa
Cinema sempre foi minha maior paixão, sempre fez parte de quem eu sou. Quando criança, eu levantava pra ver filmes de terror de madrugada, escondida. Ficava até três da matina (bendito fuso horário de Los Angeles!!) pra acompanhar o Oscar. E salvava cada centavinho pra ver os filmes no cinema. Hoje também curto viajar, beber café e ler, mas o cinema continua em primeiro lugar na minha vida.