QpQ Resenha | Os Senhores da Guerra

"Os Senhores da Guerra" conta a história de dois irmãos que estão de lados opostos na Revolução de 1923

Os Senhores da Guerra é um dos filmes que têm escala demais e desenvoltura de menos. O diretor Tabajara Ruas investiu em direção de arte, fotografia, figuração etc., mas esqueceu de colocar uma narrativa sólida e coesa no longa.

Mas vamos por partes. A produção conta a história de Júlio e Carlos, dois irmãos que têm ideais diferentes na Revolução de 1923, época em que o Rio Grande do Sul travava uma guerra civil entre os chimangos e maragatos. Júlio é representado por Rafael Cardoso, enquanto Carlos é representado por André Arteche.

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A parte técnica é extremamente maravilhosa. O longa dá a impressão de que foi feito com o maior cuidado, mesmo com os problemas na narrativa. Os atores são bons (mesmo tendo algumas cenas caricatas e de novela mexicana ao longo da trama), as locações são lindas e tudo de bom dito mais acima deve ser reiterado, principalmente a direção de arte, que é super cuidadosa em recriar tudo da época em que a história se passa.

O problema de ter uma narrativa que não funciona é que isso decepciona quem está assistindo. O filme peca muito na hora de explicar a história para os leigos, ainda mais para os que não são gaúchos. Para piorar, quando ele tenta fazer isso, acaba dando uma surra de exageros. Narrações em off são feitas durante o filme inteiro e é bem cansativo ver esse recurso ser utilizado a todo momento, ainda mais pelo tom poético das explicações que destoam da narrativa geral.

LMBrasileiros - Os Senhores da Guerra. Divulgação

A edição e o som também não são nada agradáveis. Os cortes do filme são muito bruscos e o isso faz com que o tom se mude sempre, deixando o filme parecendo uma montanha-russa, ora lá em cima, ora lá embaixo. Como consequência, o som sofre por ter oscilações muito grandes que ferem o ouvido do espectador.

Os Senhores da Guerra sofre, infelizmente, por não conseguir ser um grande épico nacional. No mais, vale pela tentativa e pela aula de história. Quem sabe o filme não ganhe uma reedição em uma versão mais agradável para a TV daqui algum tempo. Vontade ele tem, só falta a força.

Nota:

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Sobre Bira Megda
Publicitário em formação, é apaixonado por cinema desde pequeno. Entre suas paixões do mundo cinematográfico, as obras de Steven Spielberg e os romances estrelados por Audrey Hepburn se destacam facilmente (mas não que um filme sangrento dirigido pelo Tarantino seja dispensável). Além disso, ama escrever sobre o mundo pop e colecionar filmes e livros. Por último, mas não menos importante, respira e come tudo relacionado ao universo Harry Potter. P.S.: ele também acha estranho escrever sobre si mesmo em terceira pessoa.