QpQ Resenha | Amnésia

O drama alemão "Amnésia" traz o astro bonitão de "Sense 8" e retrata o questionamento e a repercussão de um passado traumático

Não confunda esse novo Amnésia com o filme de 2000. Enquanto aquele apresentava uma trama alucinante de ação e mistério, essa produção franco-suíça de 2015 falada em alemão e inglês trata de um drama, com um ritmo mais suave e calmo, assim como a cidade e o lugar paradisíaco em que é situado, a ilha de Ibiza.

Estamos em 1990, pouco depois da queda do muro de Berlim, conforme o início do filme nos avisa. Jo (Max Riemelt) é um jovem DJ de 25 anos que chega de Berlim para tentar dominar as pistas de Ibiza, começando pela balada mais quente da cidade, Amnesia. Martha (Marthe Keller) é uma senhora que vive presumivelmente há muitos anos na ilha, em uma casa no alto com uma vista de tirar o fôlego. Acostumada ao silêncio e à solidão, ela vive os dias cuidando de suas plantas, mas que, por alguma razão não explicada, não quer saber de ouvir ou falar a língua alemã.

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E é justamente Jo, um alemão, seu novo vizinho, que vem bater à sua porta, pedindo ajuda por ter machucado a mão. Martha logo estabelece o inglês como língua para falarem, mas dá a entender que não entende alemão, o que não poderia estar mais longe da verdade. De qualquer forma, ambos se tornam amigos, convivendo em harmonia, dividindo seus momentos entre a pescaria, gastronomia e música. Pouco a pouco, é notável a felicidade crescente de Martha, que sai de uma espécie de exílio autoimposto.

Amnésia é um filme questionador, que faz o espectador pensar sobre nosso envolvimento com os “fatores externos”, a realidade que é revelada e o que podemos fazer quanto a isso. Uma decisão extrema seria de fato a melhor? Qual a nossa responsabilidade frente a algo hediondo? A crítica a uma Alemanha pós-nazismo é forte, mas ao mesmo tempo de uma forma suave, sem lágrimas de ódio e tons de voz erguidos, um questionamento genuíno e natural. E o amor, ah o amor….

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Assistir a este filme é como sentar com os amigos, abrir um vinho e falar de lembranças da amizade, da infância, de problemas de família: agradável, agridoce, um pouco melancólico e sobretudo sentimental. Marque presença no cinema para viver esta experiência. Às vezes, precisamos de filmes questionadores que não gritam nem fazem estardalhaço, mas que conversam com a gente, de maneira calma, feito uma brisa em uma tarde de domingo.

Nota:

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Sobre Marcela Sachini
Libriana (portanto, indecisa), sou viciada em seriados (inclusive sul-coreanos), apaixonada por idiomas, música e literatura. Moraria em Notting Hill com toda a certeza, só esperando um convite do Henry Cavill para isso. Fui ao cinema pela primeira vez com 6 anos. Foi amor à primeira vista, desde então não parei mais.