QpQ Resenha | Indignação

Logan Lerman estrela "Indignação", drama que conta sobre a vida de um jovem americano judeu entrando na universidade para fugir da opressão dos pais

Indignação é a estreia de James Schamus na direção, adaptando o livro do cultuado autor Philip Roth, que concorre há anos por um Nobel de Literatura. Na trama, o jovem Marcus Messner (Logan Lerman), filho de um açougueiro judeu e uma dona de casa na cidade de Nova Jersey em 1951, escolhe cursar a universidade em Ohio, para fugir do excesso de zelo de seus pais, atenção essa que se mostra opressora aos seus olhos. Mas como diria Renato Russo, “você culpa seus pais por tudo”, o que é normal na fase da adolescência, então vamos dar uma colher de chá para o moço – e para seus pais.

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Marcus é filho único, acostumado a certa solidão, além de um isolamento em termos de pensamento, uma vez que pretende passar pela universidade focando nos estudos, enquanto seus colegas o pressionam para participar das atividades sociáveis. Essa dificuldade em socializar também lhe rende o status de virgem extremamente inexperiente, um aspecto de sua personalidade que entra em choque com a experiência de seu interesse amoroso, Olivia Hutton (Sarah Gadon). Marcus se interessa pelas pernas da moça mais bonita da classe. Já Olivia se interessa pela intensidade de Marcus (ela mesma quem diz). Os dois saem e Olivia pratica um ato chocante aos olhos inexperientes de Marcus em uma época extremamente conservadora, e o relacionamento deles fica suspenso por seu silêncio. Logo se descobre que Olivia não é apenas um belo pacote, que também tem seus demônios pessoais e que sua natureza, portanto, vai além do que se vê.

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Schamus toma uma decisão excelente ao fazer suspense com a vida de Marcus. Logo no início, a narração dá a entender que ele possa ter morrido, ou ao menos passado por alguma experiência que ameace sua sobrevivência. Mas isso não é revelado até o final.

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Sem dúvida nenhuma, a melhor cena do filme é um diálogo entre Marcus e o Diretor da universidade, Caudwell (Tracy Letts), que questiona sua (falta de) crença, seus hábitos, seus amores (novamente, ou falta de), suas escolhas. É uma sequência fantástica de argumentação entre os dois, que dura cerca de 15 minutos, com uma verdadeira batalha de réplicas e lógica. Marcus se garante, defendendo sua posição e visivelmente fatigado de ter que frequentar a missa sendo que é ateu, dar satisfação para o diretor de escolhas pessoais, dentre outras coisas.

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Quanto à indignação do título, encaremos como arte, cada um interpreta a sua maneira. Talvez seja a indignação de Marcus como adolescente, ou quanto à pressão das pessoas ao seu redor querendo controlá-lo e decidir o que é certo para ele. Você escolh!. Mas não deixe de se dar a oportunidade de assistir ao filme e, quem sabe, ler o livro.

Nota:

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Sobre Marcela Sachini
Libriana (portanto, indecisa), sou viciada em seriados (inclusive sul-coreanos), apaixonada por idiomas, música e literatura. Moraria em Notting Hill com toda a certeza, só esperando um convite do Henry Cavill para isso. Fui ao cinema pela primeira vez com 6 anos. Foi amor à primeira vista, desde então não parei mais.