QpQ Resenha | Sieranevada

Diretor coloca uma família para debater as questões políticas, sociais e religiosas da Romênia em meio a um velório, em "Sieranevada"

O diretor Cristi Puiu fez uma espécie de drama que na verdade é uma comédia, mas cujo humor não chega nem perto de ser pastelão, mas sim um humor sério e meio filosófico, diria, nas 3 horas de duração de Sieranevada, pré-candidato romeno ao Oscar 2017.

Iniciamos o filme com uma mulher e seu marido parando o carro no meio da rua e entrando em seu apartamento. A agonia da espera da van que vem logo depois que entram no apartamento é palpável e o sentimento é de incredulidade com a situação. O problema é resolvido, mas nesse momento percebe-se o tratamento diferente da câmera, que fica ali parada, próxima aos personagens de início e depois distante, como uma espécie de testemunha silenciosa dos acontecimentos. Esse tratamento de câmera continua quando o casal e a filha chegam ao velório de um pai de alguém ali da família. Sim, porque aqui fica difícil saber quem é filha, irmã, tio, neto de quem, de alguma forma a árvore familiar nunca fica exatamente clara.

Em um momento presenciamos cenas familiares por meio de uma porta entreaberta e por trás da cabeça de um ente familiar no outro. Temos presenças femininas fortes, debatendo entre si sobre algo além de homens (ou seja, passa no teste Bechdel). E enquanto eles discutem política fervorosamente, você se pergunta porque tamanha obsessão com teorias da conspiração referentes ao 11 de setembro nos Estados Unidos. Na verdade, o filme é todo assim, argumentativo, com muitas pessoas dentro da casa conversando sobre tudo, principalmente política. Para nós, que praticamente não temos acesso a produções romenas ou até a sua cultura (além do Drácula), é bom aprender que o país passou por 40 anos de terror em uma ditadura comunista liderada por Nicolae Ceausescu, que só terminou com seu fuzilamento (e o de sua mulher Elena) em 25 de dezembro de 1989. Mas a trama discute, através de seus personagens, porque a vida das pessoas não está maravilhosa como se esperava após o fim de tal regime.

O diretor construiu uma comédia ácida e irreverente, porém de longa duração, que provavelmente não será visto por muitos. De qualquer forma, parabéns ao diretor por criticar a política, a religião, os grandes acontecimentos da história romena e o centro da história do século XXI, o 11 de setembro. Faça um esforço para ver esse filme, de uma originalidade refrescante, embora com ritmo um pouco maçante.

Nota:

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Sobre Marcela Sachini
Libriana (portanto, indecisa), sou viciada em seriados (inclusive sul-coreanos), apaixonada por idiomas, música e literatura. Moraria em Notting Hill com toda a certeza, só esperando um convite do Henry Cavill para isso. Fui ao cinema pela primeira vez com 6 anos. Foi amor à primeira vista, desde então não parei mais.