10 FILMES | Os melhores filmes alternativos de 2016

2016 foi um ano com muitos filmes... e o cinema alternativo também teve a sua vez!

Se o Quadro por Quadro resenhou mais de 450 filmes em 2016, uns 70% do total veio de filmes independentes, o que torna a tarefa de indicar os 10 FILMES do ano ainda mais árdua. Mas conseguimos e separamos abaixo os melhores independentes do ano. Confira!

E você? Concorda com a gente? Qual filme você incluiria ou tiraria da lista?

Clique no título do filme para ser direcionado para nossa resenha sobre o longa.


A BRUXA
(The Witch, 2015, 1h33)

Direção: Robert Eggers
Elenco: Anya Taylor-Joy, Ralph Ineson, Kate Dickie e outros

Já considerado um clássico do terror moderno, A Bruxa é um filme que causou furor quando saiu. Acostumados aos famosos scary jumps e filmes com a tensão levada aos limites, os fãs de suspense e terror amaram ou detestaram o filme de Robert Eggers. Não é por menos, A Bruxa quebra toda a lógica dos filmes do gênero trazendo um sorriso sarcástico nos lábios. Depois de uma grande pesquisa sobre o folclore de bruxas de New England (E.U.A.) o diretor consegue colocar em tela uma história assustadora menos por falar sobre o mal e suas formas mas, mais ainda, por tratar de algo tão plausível como violência doméstica, preconceito e extremismo religioso, em um ambiente do século XVIII imerso em um clima obscuro. O grande filme do ano, com toda certeza.


A CHEGADA
(Arrival, 2016, 1h56)

Direção: Denis Villeneuve
Elenco: Amy Adams, Jeremy Renner, Forest Whitaker e outros

Denis Villeneuve alcançou os holofotes cinematográficos sem fazer grandes concessões. Apresentou filmes interessantes como Incêndios, Sicário: Terra de Ninguém e Prisioneiros mas foi com O Homem Duplicado que é perceptível que estava indo para um caminho muito interessante de trabalhar com assuntos que transcendem a base do roteiro. A Chegada é um longa repleto de sublopts e ainda consegue entreter e dialogar com um dos assuntos mais caros ao cinema nas últimas décadas: uma invasão alienígena. Uma homenagem ao processo sensacional de adquirir uma língua e comunicar-se, ou ainda, um filme sobre a nossa noção de tempo e as relações interpessoais em que ele age. Merece ser revisto, analisado e esmiuçado. Um inteligente clássico moderno.


NISE – O CORAÇÃO DA LOUCURA
(Nise – O Coração da Loucura, 2015, 1h48)

Direção: Roberto Berliner
Elenco: Glória Pires, Simone Mazzer, Julio Adrião e outros

Nise – O Coração da Loucura talvez não seja um filme perfeito em questão de concepções cinematográficas, mas é um longa importantíssimo para a história das mulheres no Brasil e na luta antimanicomial no país. Roberto Berliner dirige muito bem o elenco, principalmente Glória Pires que incorpora a grande psiquiatra brasileira do século XX. Um filme sensível e necessário em um momento que precisamos conhecer figuras que fizeram pequenas mudanças na história do país e podem nos dar esperanças de ir em frente. Nise da Silveira foi uma heroína.


O LAGOSTA
(The Lobster, 2015, 1h54)

Direção: Yorgos Lanthimos
Elenco: Colin Farrell, Rachel Weisz, Jessica Barden e outros

Os gregos são conhecidos por fundar as bases da filosofia e o diretor Yorgos Lanthimos leva isso bastante a sério. Lanthimos é um dos cineastas mais interessantes do cinema contemporâneo e já nos presenteou com filmes excelentes como Dente Canino e em O Lagosta ele executa seu primeiro trabalho com um elenco estrangeiro. Um filme ácido do início ao fim, que questiona a serventia humana além de comer, trabalhar e se reproduzir, arrancando risos nervosos. Infelizmente o filme teve pouca repercussão, indo direto para home vídeo no Brasil, mas nem por isso você deva passar longe dele, é um grande filme.


A CIDADE DO FUTURO
(A Cidade do Futuro, 2016, 1h15)

Direção: Cláudio Marques, Marília Hughes
Elenco: Mila Suzarte, Gilmar Araújo, Igor Santos e outros

Cidade do Futuro estreou em 2016 durante o Festival Internacional Olhar de Cinema e ganhou o prêmio de público na ocasião. Um filme feito com muito cuidado e delicadeza sobre lugares do Brasil que, aparentemente, vivem em um passado, porém guardam sementes fundamentais para o futuro. Um filme sobre tolerância, descaso e esperança. Aguardando ansiosamente uma estreia nacional.


AGNUS DEI
(Les Innocentes, 2015, 1h55)

Direção: Anne Fontaine
Elenco: Lou de Laâge, Vincent Macaigne, Agata Buzek e outros

Infelizmente a História é bastante cruel com as mulheres e Agnus Dei mostra isso com a fineza de um relato. O estupro de mulheres sempre foi – e continua sendo – uma prática de guerra, uma espécie de vingança usada em combate. Em Agnus Dei é apresentado um recorte histórico do final da Segunda Guerra Mundial onde um convento se vê entre a religião, a moral e a vida em um único conflito. Um filme sensível e uma discussão necessária ainda hoje, repleto de grandes interpretações e boa direção.


TANGERINE
(Tangerine, 2015, 1h28)

Direção: Sean Baker
Elenco: Kitana Kiki Rodriguez, Mya Taylor, Mickey O’Hagan e outros

O que Sean Baker faz com um Iphone não é brincadeira. Tangerine, além de um filme muito importante para a representatividade transgênera, é um longa feito com pouco dinheiro, mas com uma mão certeira na direção. Entre a comédia e o drama das ruas, em que travestis e transgêneras se submetem cotidianamente, o filme cria uma empatia única deixando um vislumbre do que pode ser feito hoje em nível de técnica e pouco equipamento. Um filme que pode ser um retorno ao cinema documentário dos anos 90, o que não seria nada mal.


FILHO DE SAUL
(Saul Fia, 2015, 1h47)

Direção: László Nemes
Elenco: Géza Röhrig, Sándor Zsótér, Levente Molnár e outros

O Filho de Saul angariou a estatueta do Oscar, na categoria filme estrangeiro, de 2016 e foi bem merecido. O filme do húngaro László Nemes – nada menos que alguém que já foi assistente de Bela Tarr – é um filme desafiador e impactante. Trabalhando com antagonismos e tratando de instinto de sobrevivência, o filme é redondo nas concepções cinematográficas e uma paulada angustiante ao espectador.


PARA MINHA AMADA MORTA
(Para Minha Amada Morta, 2015, 1h45)

Direção: Aly Muritiba
Elenco: Fernando Alves Pinto, Mayana Neiva, Lourinelson Vladimir e outros

Um dos grandes filmes nacionais nesse ano foi Para Minha Amada Morta, de Aly Muritiba. O filme é um verdadeiro thriller sobre um homem sempre funcionando no limite e deixando o espectador tenso os 113 minutos da duração. Fernando Alves Pinto é bem dirigido por Muritiba e entrega um protagonista à beira de um ataque de nervos, porém calculando cada passo dado. Merece ser revisto!


NAHID – AMOR E LIBERDADE
(Nahid, 2014, 1h44)

Direção: Ida Panahandeh
Elenco: Sareh Bayat, Pejman Bazeghi, Navid Mohammadzadeh e outros

A condição da mulher nos países do Oriente Médio parece ser um mote já batido, porém Ida Panahandeh lança um olhar mais contemporâneo sobre a situação. Mostrando um Irã entre uma suposta modernização, porém com as bases fincadas nas tradições, o filme mostra uma mulher divorciada que tenta ser feliz ao mesmo tempo que busca sua liberdade. A diretora iraniana tem tudo para ser uma nova expoente no retrato das mulheres contemporâneas do seu país, fazendo isso de forma sincera e criando empatia no espectador. A indicação é ficar de olho nas diretoras da região.


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Sobre Emanuela Siqueira
Formação em Letras mas é multitask por opção. Cinema, Literatura, Feminismo, Cultura Livre, Música barulhenta, Quadrinhos e Tradução definem um pouco. Tem fé em Darren Aronofsky e acredita em vida atrás das telas.