QpQ Resenha | Convenção de Genebra

"Convenção de Genebra" cria uma trama relevante e muito criativa

Existem alguns casos na adolescência que parecem ser de vida ou morte, o mais recorrente deles, são as típicas brigas entre grupinhos por motivos insignificantes que tomam proporções estapafúrdias ou o famoso “te pego na saída”.

O curta-metragem francês Convenção de Genebra, lindamente dirigido por Benoît Martin, fala sobre um garoto que pegou dinheiro emprestado de um colega e ainda não o pagou. Ao final das aulas, os alunos da turma do prejudicado, esperam reunidos no ponto de ônibus o devedor para dar-lhe uma surra. Em meio a confusão, exite um outro grupo mais diplomático que não enxerga a magnitude da situação e tenta interferir para resolvê-la sem tomar medidas tão drásticas.

O título homenageia a Convenção de Genebra, que são uma série de tratados para estabelecer leis do direito humanitário. A comparação com essa situação tão terrena não poderia ser mais brilhante. A política é aplicada como metáfora o tempo todo, e mesmo em apenas doze minutos, vários lados da moeda são apresentados e a simplicidade para se resolver algo que parece tão urgente quanto dever uma quantia pequena em euros, nos leva a pensar numa real discussão quando se trata de milhões ou bilhões em uma sala de conferência ou até em situações limitantes de batalhas e conflitos de interesses.

Martin executa um excelente trabalho de direção e cria uma atmosfera inocente, mesmo num ambiente tão hostil como o ensino médio. O roteiro é inteligente em distribuir bem as funções de cada personagem na pequena trama e entrega uma visão diferente sobre algo tão próximo da vida de todos.

Nota:

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Sobre Felipe Cavalcante
Formado em RTV, fã de boas músicas e boas histórias, sempre em busca de coisas novas e empolgantes. Obcecado por super-heróis e pela magia do impossível que se torna real nas telas da TV e do cinema.