QpQ Resenha | Demônios

Os demônios da infância de uma criança são o foco de "Demônios"

Ser criança não é uma coisa muito fácil, apesar daquele papo de “não precisa pensar em nada”, “não tem contas pra pagar”, entre outras pérolas. Mas não é bem assim, ainda mais quando você é o filho mais novo, tem apenas 10 anos, seus pais estão dando sinais de que podem se separar a qualquer momento, você é apaixonado pela sua professora de educação física e acha que pegou AIDS de uma experiência infantil com um coleguinha. Esta é a vida de Felix, o pequeno protagonista de Demônios, filme do canadense Phillipe Lesage.

Pelas quase duas horas de filme, que tem um ritmo mais lento, apesar da hiperatividade da criançada que ele acompanha, seguimos a vida de Felix. Felix na escola. Felix na casa do melhor amiguinho, vendo o pai flertar com a mãe dele. Felix na piscina da cidade, se divertindo com o amigo, ou aprontando com ele. Felix e seus medos, alguns reais e cheios de razão (crianças estão sumindo na cidade), e outros nem tanto. E acompanhar este garoto e suas dúvidas, esperanças e medos nos faz pensar na nossa própria infância.

Apesar de um garoto de 10 anos ser o foco do filme, e acompanharmos seu ponto de vista, os adultos são os coadjuvantes que nos causam mais angústia. Na segunda cena mais horripilante do filme, vemos os pais de Felix se estapearem enquanto os três filhos, incluindo o caçula tentam apartar a briga. Crianças tendo que intervir na vida dos adultos. E quando elas precisam de ajuda, como quando Felix volta da escola preocupado porque, em sua inocência, pensa poder ter AIDS, é a irmã que o ajuda, pois os adultos só estão presentes pra criar caso.

E falando em adultos, o momento horripilante números um, três e quatro ficam por conta de outro adulto, que é o outro único personagem que rouba a cena de Felix. E em três situações vemos o instrutor de natação ser o foco do filme, e o sangue gela em todas.

Este filme atemporal (se bem que as menções à AIDS fazem parecer que ele se passa nos anos 1980) tem uma fotografia linda, e uma trilha sonora marcante que ajuda a dar o tom do filme. Vale a pena conferir.

Nota:


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Sobre Melissa Correa
Cinema sempre foi minha maior paixão, sempre fez parte de quem eu sou. Quando criança, eu levantava pra ver filmes de terror de madrugada, escondida. Ficava até três da matina (bendito fuso horário de Los Angeles!!) pra acompanhar o Oscar. E salvava cada centavinho pra ver os filmes no cinema. Hoje também curto viajar, beber café e ler, mas o cinema continua em primeiro lugar na minha vida.