QpQ Resenha | A Cidade Onde Envelheço

"A Cidade Onde Envelheço", dirigido por Marília Rocha, traz as alegrias e dores de viver longe de casa

Nossa cultura está acostumada com as pessoas mudando de cidades ou até mesmo de países para tentar uma vida melhor o tempo todo, seja para estudar, para trabalhar ou qualquer coisa do tipo. Todo mundo sai de sua bolha, de sua zona de conforto para que o universo conspire algo a favor. Mas na maioria das vezes é algo regional, interno no nosso país, ou externo, do Brasil para o mundo. E quando o contrário acontece?

Em A Cidade Onde Envelheço, drama nacional dirigido por Marília Rocha (Aboio, A Falta que Me Faz), uma história assim nos é apresentada. Francisca, uma jovem portuguesa, recebe na sua casa em Belo Horizonte sua amiga Teresa, outra portuguesa, que também resolveu tentar a vida no Brasil. Francisca é uma pessoa mais retraída que apoia a solidão e independência e, portanto, tem receio de não dar certo a divisão de apartamento com a amiga, já que uma é totalmente o oposto da outra. Mas mal sabem elas que a ligação das duas vai só aumentar a partir disso…

Premiadíssimo no Festival de Brasília de 2016, o longa vem narrando a vida das duas jovens de forma dramática e doce durante todo seu trajeto. As nuances e diferenças das personagens são visíveis, coisas que foram muito bem estruturadas na direção e no roteiro do filme.

Francisca (Francisca Manuel) e Teresa (Elizabete Francisca) tem uma química super gostosa e parecem se dar super bem em seus respectivos papéis, ainda mais com esse roteiro super espirituoso e delicado. Chega a ser poético em algumas partes.

As locações do filme também são um ponto interessante. Por mais que ele tenha sido filmado em Belo Horizonte, podemos perceber que não temos muitos lugares famosos da cidade no decorrer do longa. É na região central, mas sem os esteriótipos turísticos de sempre.

Provavelmente o grande problema do filme é a demora pra engrenar de vez. Como tudo é meio poético e amoroso, algumas partes são bem cansativas e não tem fluidez. Além disso, o sotaque muito forte das atrizes é algo que acaba atrapalhando a experiência do filme, uma vez que perdemos algumas (várias) frases ditas pelas personagens. O primeiro problema é mais difícil de resolver, mas o segundo pode ser facilmente ajustado com legendas na tela.

A Cidade Onde Envelheço é um filme que aborda caminhos, amizade, segurança em paralelo com a insegurança e muitos outros sentimentos. Todo mundo sabe que a vida é dura e pouca coisa vem de graça, mas o horizonte pode sim ser belo.

Nota:

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Sobre Bira Megda
Publicitário em formação, é apaixonado por cinema desde pequeno. Entre suas paixões do mundo cinematográfico, as obras de Steven Spielberg e os romances estrelados por Audrey Hepburn se destacam facilmente (mas não que um filme sangrento dirigido pelo Tarantino seja dispensável). Além disso, ama escrever sobre o mundo pop e colecionar filmes e livros. Por último, mas não menos importante, respira e come tudo relacionado ao universo Harry Potter. P.S.: ele também acha estranho escrever sobre si mesmo em terceira pessoa.