QpQ Resenha | Era o Hotel Cambridge

"Era o Hotel Cambridge" tem uma direção magnífica e acerta em inúmeras questões

Pense em um filme em que você sai restaurado da sessão. Renova a fé na humanidade, vê sentido nas coisas, acredita que a empatia realmente existe. Agora coloque uma direção impecável, um elenco profissional/amador com química incrível e muita representatividade sendo colocada em pauta. E ah, por último, uma pitadinha de tensão. Pronto. Tá aí a receita de Era o Hotel Cambridge.

A sinopse é mais ou menos a seguinte: refugiados e sem-teto dividem um edifício abandonado em São Paulo que foi ocupado pelos mesmos. A vida deles é uma constante roleta russa, pois uma ameaça de despejo os assombra todos os dias. Como se não bastasse isso, eles ainda têm que lidar com seus problemas pessoais e de convivência, coisas que são recorrentes por lá.

Tudo aqui acontece de forma muito intensa. Temos refugiados de outros países tentando a sorte no Brasil, temos brasileiros sem-teto tentando sobreviver de alguma forma e temos cenas reais dessas pessoas misturadas com outras encenadas. E por incrível que pareça, funciona muito bem. O filme tem um tom documental mesmo não sendo 100% um documentário.

A linguagem é boa, as atuações são competentes e muitas cenas são absolutamente incríveis. A gente tinha uma diretora correndo risco junto com todos os moradores do lugar e ela presenciar isso tudo deu muita voz ao filme. É magnífico esse estilo “primeira pessoa” que sentimos ao assistir os episódios da vida dessas pessoas. Eliane Caffé acertou isso em cheio. Temos alguns problemas de ritmo e montagem, mas são até fáceis de relevar de tanto que todo o resto é cativante.

Pra finalizar, nem é preciso dizer que na atual situação do mundo esse longa fica mais importante ainda, né? Representatividade de quem vive oprimido nunca é exagerada. Os países podem até ter muros, mas o cinema não.

Nota:

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Sobre Bira Megda
Publicitário em formação, é apaixonado por cinema desde pequeno. Entre suas paixões do mundo cinematográfico, as obras de Steven Spielberg e os romances estrelados por Audrey Hepburn se destacam facilmente (mas não que um filme sangrento dirigido pelo Tarantino seja dispensável). Além disso, ama escrever sobre o mundo pop e colecionar filmes e livros. Por último, mas não menos importante, respira e come tudo relacionado ao universo Harry Potter. P.S.: ele também acha estranho escrever sobre si mesmo em terceira pessoa.