QpQ Resenha | O Espaço Entre Nós

"O Espaço Entre Nós" é um romance impossível e nada cativante

O Espaço Entre Nós inventa um cenário elaborado de ficção científica para contar um romance adolescente clichê impossível.

No filme, o adolescente Gardner Elliot (Asa Butterfield) é o primeiro humano nascido em solo marciano. Mas ele deseja fazer uma viagem à Terra para conhecer a verdade sobre seu pai biológico, e sobre seu nascimento. Nesta jornada, ele tem o apoio de Tulsa (Britt Robertson).

Para alguns, esta seria uma premissa convincente para um romance lindo. Mas apesar de um primeiro ato em Marte, que serve apenas para aumentar o orçamento do longa em alguns milhões de dólares, ele não agrega praticamente nenhum valor para a história em si.

Concebido na Terra por um pai que ele nunca conheceu, Gardner é mantido em segredo desde então por um excêntrico britânico chamado Nathaniel Shepherd (Gary Oldman), que escreveu uma carta ao presidente dos EUA, aos 12 anos de idade, onde explicava como “coragem sem limites” levaria os homens a colonizar Marte. Plausível não?

O personagem de Oldman pode ser o responsável por colonizar Marte, mas na verdade, ele é um poço de más ideias. Nathaniel tem uma condição cerebral que o impede de experimentar viagens interplanetárias, então ele envia uma mãe de aluguel, Kendra (Carla Gugino), para criar Gardner. Ainda assim, é uma infância solitária para o garoto.

Na necessidade desesperada de conexão humana, Gardner descobre uma maneira de conversar por vídeo com uma garota chamada Tulsa, na Terra (evidentemente a tecnologia de comunicações evoluiu mais do que viagens espaciais visto que conversam em tempo real, embora o trajeto entre planetas ainda seja de sete meses). Isso leva Gardner a querer viajar para a Terra e, em mais uma má decisão, Nathaniel concorda em deixá-lo fazer a viagem. Após o pouso, para a surpresa de ninguém, exceto Nathaniel, Gardner escapa enquanto está sob avaliação médica, partindo para encontrar Tulsa e o pai biológico que ele nunca conheceu.

Nathaniel e Kendra perseguem as crianças de helicóptero na medida em que Gardner descobre as alegrias da vida na Terra – roubar carros, ver o Grand Canyon e os penhascos de Malibu – enquanto sinistras hemorragias irrompem do seu nariz servindo apenas para lembrar que toda essa diversão é finita.

O filme exagera na premissa rala de uma ficção científica mal elaborada e o maior buraco no roteiro é o pressuposto de que Tulsa iria se apaixonar tão rapidamente por Gardner depois de descobrir que toda a sua amizade era baseada numa mentira. Se o público que busca romance realmente sabe o que quer, é bom que deixe um bom espaço entre ele e O Espaço Entre Nós.

Nota:

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Sobre Felipe Sclengmann
Era praticamente impossí­vel que o cinema não acabasse sendo minha paixão. Cresci no prédio onde um cinema funcionava, criado por um avô e uma avó que se conheceram trabalhando no ramo. Então, tá explicado! Falar sobre cinema é um hobbie, uma paixão, tá no meu sangue! Este é o motivo do Quadro por Quadro existir (além de aplicar os conhecimentos de uma graduação em Sistemas de Informação, a qual detesto) e ele está aí para reunir quem também ama esta arte.