QpQ Resenha | O Poderoso Chefinho

Uma disputa para descobrir quem é mais fofo e merecedor da atenção plena pode levar bebês e cãezinhos ao extremo. “O Poderoso Chefinho” é a prova de que nenhum dos lados está para brincadeira

A experiência da chegada de um irmão mais novo pode ser mais traumatizante do que se sabe. Para os pais isso representa uma nova volta em uma montanha russa que eles aprenderam a domar, para o primeiro filho nada poderia ser mais aterrorizante, pois a partir daquele momento tudo será dividido por dois. Ainda mais quando o bebê em questão fala, usa terno, gravata e uma maleta.

Essa é a verdade da qual Tim tenta convencer seus pais, mas ambos estão encantados com o pequeno. Sendo assim, ele decide que vai reunir provas para expulsá-lo de uma vez por todas de sua casa, mas ao descobrir que o Bebê está numa missão para impedir a criação de um cãozinho que pode fazer os adultos não quererem mais saber de bebês, parece mais vantajoso se unir ao irmão temporário e garantir que isso não aconteça.

Surpreendentemente, o filme entrega mais do que o esperado. Um pouco pela história, que apesar de simples tem momentos bem emocionantes, mas mais pelos personagens e principalmente pela animação. O Bebê é um mini executivo de sucesso, e Tim uma típica criança, mas a combinação deles e do universo de cada um, faz a trama desenrolar e prender a atenção quando a imaginação do irmão mais velho contagia e engloba o mundo corporativo do mais novo. E a representação dos cenários e aventuras que Tim imagina são as cenas que temperam a trama, uma vez que os traços variam um pouco dependendo de onde ele se imagina estar mas se mantém sempre dinâmicos.

Mesmo que essa narrativa mostre a história de uma família através da animação gráfica e da relação de dois irmãos, não é um filme voltado de todo para o público infantil. O Poderoso Chefinho tem piadas e referências a outros filmes consagrados que só adultos poderiam identificar, e mesmo que exista uma mescla entre as concepções de adultos e crianças, vistas no perfil dos personagens principais, na explicação de onde vem os bebês (que lembra um pouco o longa Cegonhas – A História que Não te Contaram) e na cena final que justifica o filme, talvez os pequenos não se divirtam tanto quantos outros que entenderão esses detalhes ocultos nos diálogos e em outras cenas. Um detalhe final: talvez seja interessante assistir ao filme em sua versão original, nem que seja só para ouvir Alec Baldwin interpretando esse Bebê que aparentemente nasceu para mandar.

Nota:

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Sobre Thais Wansaucheki
Publicitária descendente de ucranianos que além de cinema nunca dispensa um bom Chai. Como curitibana da gema, aproveito os (raros!) dias de sol andando de bicicleta e os dias de frio com livros, HQs e receitas de doces! Sem falar das horas de conversas com amigos que independem do clima. Adoro balões e sou fã e jogadora incansável de Tetris.