QpQ Resenha | A Família Dionti

Alan Minas constrói uma narrativa de uma família do interior de Minas onde um garoto corre o risco de derreter de amor, literalmente

Poucos filmes se dão uma liberdade de criação feito a dessa nova produção brasileira de Alan Minas que narra uma história quase como um conto de fadas tupiniquim. Aqui, a ordem é dar asas à imaginação, transformar a realidade em fantasia, a fantasia em realidade. Lembra Gabriel Garcia Marquez, lembra nossas memórias que habitam aquela linha tênue entre realidade e ficção. Nesse filme, o crível se molda e se curva ao incrível.

Kelton (Murilo Quirino), 13 anos, é o caçula da família “Dionti”, que ainda conta com o irmão mais velho, Serino (Bernardo Santos), 15 anos, e o pai, Josué (Antônio Edson). Kelton é um menino que questiona os sonhos, a existência, o futuro. Um belo dia na escola, chega sua grande primeira paixão, Sofia (Anna Luiza Paes Marques), também 13 anos. Enquanto Kelton nunca saiu da cidadezinha do interior de Minas Gerais, Sofia é do circo, vive viajando por todos os cantos do país. É curioso ver que, mesmo com histórias tão distintas, ambos encontram similaridades entre si.

Mas há mais aspectos curiosos nas relações. A mãe dos garotos não está presente, ela derreteu de amor, evaporou e partiu. Literalmente. Serino chora pedras, enquanto Kelton arde em febre e sua feito um porco, evitando ficar muito tempo exposto ao sol. No médico, o pai esclarece que ele padece do mesmo mal que a mãe.

E assim o filme prossegue, com Kelton amando Sofia, o pai preocupado com os rompantes de suor do filho, mas firme na convicção de sua reabilitação. Kelton vai descobrindo outro universo poético com Sofia, que o instiga a viajar também. A linguagem visual é simples, mas poética. O velho “menos é mais”.

Um filme de experiências sensoriais e sinestésicas, A Família Dionti é uma opção para todas as idades, uma vez que, em seu âmago, trata das relações familiares e principalmente da relação mais celebrada na literatura, cinema e outras artes: o amor, na sua forma mais pura. Não deixe de conferir essa narrativa fantástica e singela, com ares de nostalgia e saudade.

Nota:

Sobre Marcela Sachini
Libriana (portanto, indecisa), sou viciada em seriados (inclusive sul-coreanos), apaixonada por idiomas, música e literatura. Moraria em Notting Hill com toda a certeza, só esperando um convite do Henry Cavill para isso. Fui ao cinema pela primeira vez com 6 anos. Foi amor à primeira vista, desde então não parei mais.