QpQ Resenha | 13 Reasons Why

"13 Reasons Why" mostra uma geração marcada por bullying

Todo mundo consegue se identificar com histórias sobre bullying na escola. Por mais que essa questão seja discutida com mais ênfase hoje em dia, isso sempre existiu e sempre vai existir. A escola não se responsabiliza e nem toma conhecimento até que alguém morra ou qualquer outra tragédia aconteça, já os pais nunca ficam sabendo o que realmente acontece para dentro do muro. O por quê disso? Porque simplesmente os jovens não tem caráter formado para tomarem decisões e nem habilidades sociais que os ajudem a sobreviver ao ambiente escolar. Com isso surgem as maldades e os boatos. Sempre para esconder uma verdade ou criar uma.

Em 13 Reasons Why, nova série da Netflix criada por Brian Yorkey e baseada no livro de Jay Asher, Hannah Baker (Katherine Langford) comete suicídio por conta das atitudes de pessoas com quem ela se relacionou, seja como amiga ou ficante. Após sua partida, misteriosas fitas de áudio são entregues para as 13 pessoas que foram o motivo pelo seu fim trágico. Cada fita, tem a narração de Hannah contando tudo o que houve com ela e também expõem alguns segredos por trás de vários rumores. Mas há quem os desminta. Antiquada por um lado, a série resgata essa mídia quase esquecida que podia ser tocada num walkman ou em rádios que não se fabricam mais, e nos leva a uma era sem redes sociais, sem fotos instantâneas e internet, onde tudo ficou ainda pior. Esse assunto é e deve ser levado a sério para atingir o propósito que merece, acontece que a produção esbarra em diversos estereótipos das quais ela tenta se desvincular, mas além de não conseguir, cria um clichê muito visto em filmes como Meninas Malvadas ou séries como Gossip Girl e The O.C. Por outro lado, a dinâmica da escola é bem explorada e o casting é absolutamente perfeito ao encaixar esses estereótipos de um modo mais fresco, porém não dá para se esquecer de que 13 Reasons Why é feita por adultos, que talvez não saibam retratar direito a forma como os adolescentes se comunicam, mesmo tendo passado por tudo isso um dia. Alguns diálogos são altamente neo-intelectuais e com uma consciência de maturidade até que grande para quem tem 17 anos. Isso soa um pouco por fora da proposta.

Por mais que a série tente passar seriedade no assunto a que se propõe, são rumos de personagem trabalhados em roteiro que destorcem a crença do espectador por essa veracidade. Clay (Dylan Minnette), o personagem que nos acompanha pelo desmembramento das fitas e também é a ferramenta da trama para segurar os 13 episódios, assume um manto de pureza e bondade, se torna o vingador incansável e o justiceiro de todos, o verdadeiro herói que permanece na escuridão e nada muda mesmo com todas as revelações das fitas. De qualquer forma, os motivos pelos quais Hannah se suicidou, são ricos em detalhes e descrevem muito bem eventos que podem parecer exagerados ou dramáticos demais, acontece que nesse núcleo escolar a vida dessas pessoas é moldada a partir do que os outros dizem sobre ela. Não deveria, mas novamente o senso de equidade não está formado e ninguém se importa em machucar o outro. Pena, para os adultos de amanhã que carregam esse vício de comportamento consigo.

O processo da legislação desse mérito sobre bullying ainda é muito nebuloso e tratado como frescura por muitos, mas a hipocrisia que permeia entre as partes é um dos motivos pelos quais a série é importante. Na trama, de um lado temos a família da vítima que sobre por não entender o que aconteceu e tenta coletar evidências que os ajudem a superar a fazer justiça pela dor que sua filha carregava e de outro a escola, que se defende dentro de sua jurisdição e se omite até em perceber frases de ódio escritas em seus banheiros coletivos.

Muito intrigante e misteriosa, não espere por uma série cômica ou com momentos leves, o drama é o que conduz os episódios e o ar de melancolia paira sobre o que já vimos em Presença de Anita da TV Globo, sendo Hannah a presença incômoda que está sempre sendo lembrada e mesmo depois de morta ainda causa grande efeito sobre todos, inclusive seu aspecto solar é muito trabalhado no visual da série que muda de cor sempre que ela aparece, quase que enaltecendo a vítima. Aliás, Katherine trás a personagem atributos que remetem imediatamente a alguém que já passou pela sua escola. De beleza e talento únicos, esse é um rosto para se prestar atenção. 13 Reasons Why tem muitos atributos memoráveis e pode ser responsável por abrir melhor um diálogo sobre o que acontece não só nos corredores das escolas norte-americanas, mas também no mundo todo.

Nota:

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Sobre Felipe Cavalcante
Formado em RTV, fã de boas músicas e boas histórias, sempre em busca de coisas novas e empolgantes. Obcecado por super-heróis e pela magia do impossível que se torna real nas telas da TV e do cinema.