QpQ Resenha | Girlboss – 1ª Temporada

Ousada, imaginativa e com boa trilha sonora, "Girlboss" é mais um acerto da Netflix

Alguns períodos e décadas são os queridinhos dos produtores para contar suas histórias, mas a gente ainda não parece ter se dado conta de que a segunda década dos anos 2000 já está quase acabando e nesse meio tempo há toda uma geração que não foi explorada nem vista em tela. É o caso do ano de 2007, que foi marcado por um estouro da música indie e do resgate da moda como informação, atitude e reconhecimento. A volta dos Converse e um estilo desleixado chic do punk estava com tudo e os jovens mais ousados puderam aproveitar muito bem esse novo movimento junto com a cultura pop que explodia com séries de TV de sucesso e Britney Spears sendo manchete de todos os meios de comunicação.

Muito perceptiva com questões de amadurecimento e as dificuldades de uma geração acelerada e impaciente, Charlize Theron, que já atuou em Jovens Adultos de 2011, se juntou com Kay Cannon para criar Girlboss, a nova série da Netflix, baseada no livro de mesmo título da autora Sophia Amoruso, que também é a personagem principal da série vivida pela ótima Britt Robertson (Tomorrowland e Uma Longa Jornada).

Girlboss fala sobre as dificuldades de Sophia de encontrar algo em que ela se encaixasse. Cheia de atitude e com a língua cheia de respostas ríspidas e uma sinceridade que se confunde com imaturidade, os episódios contam como a garota se tornou referência online por transformar roupas vintage em peças novas e empolgantes e vendê-las em sua página no Ebay, chamada Nasty Gal.

Além do período, da força da interpretação da protagonista e do bom ritmo dos episódios, os maiores destaques são o elenco coadjuvante, em especial Annie (Ellie Reed), a melhor amiga de Sophia, que enche a tela de otimismo e transforma essa relação de amizade em algo muito verdadeiro e divertido, e também a participação de RuPaul, que interpreta Lionel, o vizinho de Sophia, que reserva os melhores diálogos e comentários de todos, realmente um multitalento que Mama Ru tira de letra.

O texto é bem direto quando se trata das divagações sobre a vida adulta e as formas de viver a vida fora de padrões de empregos regulares. Abre-se uma brecha para discutir o perfil dessa geração, que sente necessidade de amar o que faz, ao invés de só trabalhar no que não gosta por dinheiro. Isso se reflete na empolgação e no olhar de Sophia para a cidade, as ruas e a maneira como ela se vê no espelho com uma peça de roupa que tem um valor histórico e poderoso, mas que pode ganhar um novo toque. Por mais que seja uma série mais sobre negócios e o tema moda não seja explorado como deveria, fica no contexto a ideia desse novo mercado de acordo com o consumidor dos anos 2000, que resgata várias influências para entender quem ele é. Ciclo muito comum da moda.

A série guarda na manga uma das melhores sacadas de todos os tempos quando reproduz conversas de fóruns como as de comunidades do Orkut ou chats do MSN, mas tudo isso numa ambientação de cenários e trabalho de direção de cena, que nos dá um banho de nostalgia e um sentimento saudoso muito único. Além de ser extremamente hilário.

Ao som de Le Tigre, Kaiser Chiefs, Yeah Yeah Yeahs, She & Him e tantas outras ótimas bandas na trilha sonora , Girlboss consegue trazer algo novo para uma audiência que ficou esquecida na linha do tempo da nossa história, mas que tem muito material pop para usar a seu favor. Uma comédia colorida, interessante e muito bem estruturada, digna de maratona e cheia de referências que vão fazer você dar repeat nas cenas.

Nota:

Please follow and like us:
Sobre Felipe Cavalcante
Formado em RTV, fã de boas músicas e boas histórias, sempre em busca de coisas novas e empolgantes. Obcecado por super-heróis e pela magia do impossível que se torna real nas telas da TV e do cinema.