QpQ Resenha | War Machine

Brad Pitt está muito cartunesco em "War Machine"

O que me faz rir não necessariamente fará você, leitor desta resenha, também, mas é difícil imaginar que alguém irá rir com a comédia de War Machine, uma sátira mal criada sobre um general dos EUA que acreditava poder “ganhar” a guerra no Afeganistão no exato momento em que Obama anunciava a retirada das tropas do país.

No filme, o general Glen McMahon (Brad Pitt) é um militar respeitado que comanda os norte-americanos na invasão ao Afeganistão. Em uma estratégia radical, ele junta sua equipe de subordinados e assessores de imprensa em uma investida para fazer aliados em todo o mundo, pedindo reforços, negociando no campo de batalha e driblando a imprensa durante a guerra. Mas McMahon encontra menos apoio do que imaginava.

O papel do general Glen McMahon não deveria ser de Brad Pitt. O astro passa o filme todo com o lado esquerdo da testa arqueado de forma cartunesca e com o olho direito entreaberto. John Goodman seria o ideal para o papel. Mas os executivos da Netflix ainda acreditam nas antigas estrelas hollywoodianas, diferente dos estúdios que só chamam os novatos para interpretar guerreiros espartanos, super-heróis ou qualquer papel de destaque de hoje em dia, completando a falta de apelo desses novatos com uma quantidade absurda de efeitos especiais em seus projetos.

War Machine pode ser um fracasso na sua tentativa de fazer humor, mas é o tipo de filme que deve ser incentivado, simplesmente pelo fato de entregar o tipo de entretenimento adulto que Hollywood não tem mais coragem de fazer.

O problema é que War Machine parece andar por um campo minado em sua própria produção: por um lado é uma crítica do absurdo envolvimento dos EUA no Afeganistão, mas ao mesmo tempo parece simpatizar com os próprios militares.

A estratégia militar é muito complicada para ser reduzido a algo tão banal como na visão do diretor David Michôd, do ótimo Animal Kingdom, embora pareça ter uma certa verdade na forma como os militares encontram propósito em meio ao caos da guerra. Como uma empresa que precisa despedir metade de sua força de trabalho por algum motivo, o aparato militar americano é uma máquina que se alimenta de conflitos, não de paz – e a ideia de McMahon sobre a paz é suscitar mais problemas.

Podemos questionar as motivações de McMahon, mas, como retratado por Pitt, ele parece comprometido com a população local tanto quanto com seus soldados. McMahon está ansioso para a batalha, mas antes precisa “vender” os seus planos para os países da coalizão. Aí fica claro que War Machine não é um filme de guerra, é um filme de política, mesmo assim, fica a sensação de que esse é o tipo de bomba que Hollywood, e não Washington, se especializa em fazer.

Nota:

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Sobre Felipe Sclengmann
Era praticamente impossí­vel que o cinema não acabasse sendo minha paixão. Cresci no prédio onde um cinema funcionava, criado por um avô e uma avó que se conheceram trabalhando no ramo. Então, tá explicado! Falar sobre cinema é um hobbie, uma paixão, tá no meu sangue! Este é o motivo do Quadro por Quadro existir (além de aplicar os conhecimentos de uma graduação em Sistemas de Informação, a qual detesto) e ele está aí para reunir quem também ama esta arte.