QpQ Resenha | Duas Garotas Românticas

"Duas Garotas Românticas" homenageia os musicais da era de ouro de Hollywood

Tal como na sensação do Oscar 2017, La La Land – Cantando Estações, em Duas Garotas Românticas, considerado a obra-prima musical de Jacques Demy, os personagens cantam e dançam na rua – e em qualquer outro lugar.

No filme, durante um fim de semana cheio de acontecimentos na cidade portuária de Rochefort, Delphine (Catherine Deneuve, de O Novíssimo Testamento) e Solange (Françoise Dorléac, de O Cérebro de um Bilhão de Dólares) são duas irmãs de 25 anos. Delphine é professora de dança, enquanto Solange ensina piano. Ambas sonham em encontrar um grande amor, assim como os rapazes que chegam à cidade e passam a frequentar o bar da família, gerido por Yvonne (Danielle Darrieux, de 8 Mulheres), sua mãe.

Enquanto no lado feminino as irmãs almejam conhecer Paris, a mãe ainda é apaixonada por um pretendente que ela abandonou dez anos atrás. Do lado masculino do elenco, um sonhador marinheiro/pintor está sempre em busca do seu “ideal feminino”, o proprietário da loja de música anseia por um amor perdido, enquanto isso um adorável compositor americano (Gene Kelly, de Cantando na Chuva) está de passagem e também acaba se apaixonando.

Duas Garotas Românticas é considerado a obra mais marcante de Jacques Demy – basta comparar com Os Guarda-Chuvas do Amor para saber o motivo. O diretor tem controle absoluto sobre as mudanças tonais extremas que acontecem no roteiro de seu filme ao longo da projeção.

As composições de Michel Legrand, que depois compôs para 007 – Nunca Mais Outra Vez, são um dos pontos chave do filme e passam por gêneros aparentemente incompatíveis (jaz, pop e clássico), mas que juntos trazem em uma linha emocional onde cada personagem tem o seu tema marcante.

Apesar do diretor ter realizado diversos outros filmes, é com Duas Garotas Românticas que ele parece dar uma declaração final. Se não sobre sua carreira, pelo menos sobre os musicais da era de ouro de Hollywood que o inspiraram e acabaram por inspirar La La Land. O musical é uma homenagem para um gênero que tratava sobre uma inocência extravagante que estava fora de moda nos 60, e continuou até hoje.

Nota:

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Sobre Felipe Sclengmann
Era praticamente impossí­vel que o cinema não acabasse sendo minha paixão. Cresci no prédio onde um cinema funcionava, criado por um avô e uma avó que se conheceram trabalhando no ramo. Então, tá explicado! Falar sobre cinema é um hobbie, uma paixão, tá no meu sangue! Este é o motivo do Quadro por Quadro existir (além de aplicar os conhecimentos de uma graduação em Sistemas de Informação, a qual detesto) e ele está aí para reunir quem também ama esta arte.