QpQ Resenha | Na Cama com Victoria

"Na Cama com Victoria" apresenta uma protagonista cheia de nuances

A dramédia romântica Na Cama com Victoria é inovadora no que reconhece os desejos e necessidades sexuais de sua protagonista (interpretada por Viriginie Efira, de 20 Anos + Jovem), sem objetificá-la.

O filme acompanha a advogada criminal Victoria Spick (Efira). Ela chega a um casamento onde três homens estão presentes: David (Laurent Poitrenaux), o pai de suas filhas, seu amigo Vincent (Melvil Poupaud) e Sam (Vincent Lacoste), um ex-traficante de drogas. No dia seguinte, Vincent é acusado de tentativa de homicídio por sua namorada, sendo a única testemunha o cachorro da vítima. Victoria aceitará defender o amigo, em um julgamento tecnicamente absurdo.

Victoria luta para se dividir entre o trabalho e as responsabilidades de ser mãe solteira enquanto tenta fazer o seu melhor com suas duas filhas, mesmo as deixando com uma babá inicialmente, e depois com o seu jovem interesse amoroso, Sam.

Uma sanção de seis meses é aplicada a Victoria depois que ela fala fora do tribunal com uma das testemunhas do caso que será julgado. Durante esse tempo, ela sai dos trilhos (em uma montagem feliz, aparentemente).

Ninguém menciona diretamente a batalha dos sexos aqui, mas é claro que a diretora Justine Triet tem essa luta em mente. Mas ao invés de inventar um tipo heroico como Erin Brockovich, ela apresenta uma personagem falha e notavelmente humana – o tipo de protagonista desleixada e faminta por amor que a maioria do público nem sequer para pra questionar se ela fosse do sexo masculino.

O fato de Sam, 15 anos mais jovem, aparecer como a potencial salvação de Victoria, é a cereja do bolo na inversão dos clichês do gênero. Esse ajuste na fórmula não significa que necessariamente a subtrama romântica funcione, uma vez que o aspecto menos interessante de Na Cama com Victoria é justamente a vida sexual de sua protagonista.

Triet demonstra que as pessoas podem ser complicadas – e às vezes contraditórias. E o final hollywoodiano deixa claro que os problemas que Victoria precisa lidar têm menos a ver com quem está em sua cama e estão mais relacionados com sua cabeça, na verdade.

Nota:

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Sobre Felipe Sclengmann
Era praticamente impossí­vel que o cinema não acabasse sendo minha paixão. Cresci no prédio onde um cinema funcionava, criado por um avô e uma avó que se conheceram trabalhando no ramo. Então, tá explicado! Falar sobre cinema é um hobbie, uma paixão, tá no meu sangue! Este é o motivo do Quadro por Quadro existir (além de aplicar os conhecimentos de uma graduação em Sistemas de Informação, a qual detesto) e ele está aí para reunir quem também ama esta arte.