QpQ Resenha | Rock’n Roll – Por Trás da Fama

Guillaume Canet satiriza o mundo das estrelas com "Rock'n Roll - Por Trás da Fama"

Rock’n Roll – Por Trás da Fama como concebido por Guillaume Canet é um filme de autoparódia como quase nunca se vê por aí. Além disso, esta comédia vem de um ator/diretor que não é conhecido por filmes do gênero, mas sim por thrillers tensos como Na Próxima, Acerto no Coração e até romances como o ótimo Amor ou Consequência. Por isso é ótimo vê-lo em terreno não explorado em sua carreira.

No filme, o cineasta Guillaume Canet, ele mesmo, com 43 anos, recebe uma crítica de uma jovem atriz dizendo que ele não é e nunca foi tão “rock’n roll” quanto pensa ser. Ele surta com a acusação e decide provar que a jovem está errada. Para isso, conta com a ajuda da sua esposa Marion Cotillard (sua companheira também na vida real) e busca inspiração no rei do rock francês Johnny Hallyday.

Canet fala sobre o seu ego de ator, a obsessão do cinema com a juventude e até crítica a forma como atores são tratados por diretores de elenco mundo a fora. Tudo funciona perfeitamente. Enquanto isso, Cotillard entra no jogo e parodia sua imagem na mídia como uma atriz séria, até maníaca, por assim dizer, segundo os tabloides.

A mudança de Canet é impressionante, e a equipe de maquiagem e efeitos especiais está de parabéns, mas ao mesmo tempo é um pouco over e perde a verossimilhança em determinados momentos. Mas Rock’n Roll é uma comédia e verossimilhança não é o que realmente importa.

O ator/diretor merece o crédito por ter ido a extremos e por levar a sátira até um ponto onde não há retorno, em vez de abrandá-la como na maioria dos filmes que fala sobre o sistema das produções hollywoodianas (um oi para La La Land).

Rock’n Roll é perspicaz e muitas vezes engraçado, embora devesse ter uns 25 minutos a menos de duração. É uma comédia que nos faz perceber que há apenas um lugar para ir quando começamos a não distinguir o que é fantasia e do que é realidade – Hollywood. E é lá também, que talvez você tenha tempo para se autoparodiar.

Nota:

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Sobre Felipe Sclengmann
Era praticamente impossí­vel que o cinema não acabasse sendo minha paixão. Cresci no prédio onde um cinema funcionava, criado por um avô e uma avó que se conheceram trabalhando no ramo. Então, tá explicado! Falar sobre cinema é um hobbie, uma paixão, tá no meu sangue! Este é o motivo do Quadro por Quadro existir (além de aplicar os conhecimentos de uma graduação em Sistemas de Informação, a qual detesto) e ele está aí para reunir quem também ama esta arte.