QpQ Resenha | Filhos de Bach

“Filhos de Bach” é cheio de mensagens e dá um quentinho no coração

Você pode até achar que Filhos de Bach, nova produção Brasil/Alemanha, depois de Praia do Futuro, é um pouco forçado por conter tantas mensagens em um único filme. Mas o fato é que justamente são suas mensagens que fazem da produção o que ela é.

No filme, Marten (Edgar Selge, de O Quinto Poder) é um professor de música alemão que chega em Ouro Preto, no Brasil, a fim de resgatar uma partitura original composta de Bach. Na cidade, o professor se envolve em algumas confusões e será ajudado pelo mineiro Candido (Aldri da Anunciação, de Meu Nome Não é Johnny). Com o tempo, o organizado Marten terá que se adaptar à rotina brasileira e Candido o incentivará a dar aula de música para crianças da cidade. Aos poucos, ele reaprende o prazer e alegria e ensinar às crianças que estavam até então desorientadas.

Dois mundos colidem ao longo da projeção de Filhos de Bach: o rígido Marten, que só toca quando tem uma partitura a sua frente, e as crianças brasileiras animadas que tocam de improviso e deixam sua habilidade correr solta.

Pode não parecer, mas Filhos de Bach prova que o barroco e o samba nunca combinaram tanto como aqui.

Você pode alegar que já viu filmes em que alunos-problema veem uma outra possibilidade de vida através do compromisso de um professor comprometido, seja o próprio alemão Rhythm Is It! ou O Coro. Então o que Filhos de Bach traz de novidade? A leveza da comédia e o carisma dos atores brasileiros.

Se o fato de professor e alunos não falarem a mesma língua já é um ponto forte para a comédia, o personagem de Candido ainda reforça esse lado e é um dos maiores trunfos do filme. Outro ponto positivo está para a trajetória de superação das crianças que levam Marten à uma transformação da rigidez alemã para uma personalidade mais radiante, digna do hemisfério sul.

Mas nem só de música vive Filhos de Bach. As paisagens, cenários e fotografia do filme são incríveis. Os atores estão cheios de energia (as crianças em sua maioria são crianças de rua na vida real) e são deliciosos na sua imparcialidade e sagacidade, em especial Aldri da Anunciação, como Candido.

A mensagem é clara: temos que nos aproximar uns dos outros, superar as diferenças culturais e trabalhar junto, aqui o papel que os une é a música. Talvez seja uma mensagem simplista e alguns terão como clichê, mas não importa, é bonito de se ver e dá aquele quentinho no coração.

Nota:

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Sobre Felipe Sclengmann
Era praticamente impossí­vel que o cinema não acabasse sendo minha paixão. Cresci no prédio onde um cinema funcionava, criado por um avô e uma avó que se conheceram trabalhando no ramo. Então, tá explicado! Falar sobre cinema é um hobbie, uma paixão, tá no meu sangue! Este é o motivo do Quadro por Quadro existir (além de aplicar os conhecimentos de uma graduação em Sistemas de Informação, a qual detesto) e ele está aí para reunir quem também ama esta arte.