QpQ Resenha | A Múmia

Tom Cruise e Sofia Boutella salvam "A Múmia" de um desastre total

A Múmia, enquanto filme, almeja dar início ao ambicioso universo cinematográfico da Universal, chamado Dark Universe, por isso, nada mais justo que ele próprio se pareça com um monstrinho cinematográfico. No caso, ele seria o monstro do Frankenstein, já que tem pedaços de diversas outras coisas.

Alex Kurtzman, co-roteirista de Star Trek e Transformers, juntou em A Múmia, sua estreia como diretor, uma série de referências para dar vida ao início do universo cinematográfico do estúdio. Um pouco de aventura ingênua (parecida com os últimos filmes da série A Múmia, estrelados por Brendan Fraser), uma pitada de terror (como era de se esperar de um filme que reverencia um monstro clássico do estúdio), cenas de ação que lembram muito de Missão: Impossível (talvez inevitável, por ter Tom Cruise como protagonista) e uma organização que serve como a S.H.I.E.L.D. desse universo, chamada Prodigium.

É uma mistura estranha, mas que dá um pontapé muito mais nítido para este universo cinematográfico do que O Homem de Aço fez para a Warner/DC, em 2013. A Múmia está longe, bem longe, de ser perfeito, mas funciona como distração se a plateia não pensar muito no que está assistindo ao longo das quase duas horas de duração.

O novo filme começa na Mesopotâmia, séculos atrás, onde Ahmanet (Sofia Boutella, a assassina das pernas de metal de Kingsman – Serviço Secreto) tem seus planos interrompidos justamente quando está prestes a invocar Set, o deus da morte, de forma que juntos possam governar o mundo. Mumificada viva, ela é aprisionada dentro de uma tumba. Nos dias atuais, o local é descoberto por acidente por Nick Morton (Cruise) e Chris Vail (Jake Johnson, de New Girl), saqueadores de artefatos antigos que estavam na região em busca de raridades. Ao lado da pesquisadora Jenny Halsey (Annabelle Wallis, de Rei Arthur: A Lenda da Espada ), eles investigam a tumba recém-descoberta e, acidentalmente, despertam Ahmanet. Ela logo elege Nick como seu escolhido e, a partir de então, busca a adaga de Set para que possa invocá-lo no corpo do saqueador.

A premissa é simples e os sustos são mal construídos, enquanto isso a ação é grandiosa e relativamente bem executada. O que não funciona tão bem, no entanto, é a múmia como uma “namorada” stalker. Apesar de bem interpretada por Boutella, sua personagem logo se torna uma espécie de caçadora carente que precisa do corpo de Nick para transformá-lo no seu venerado Set, o diabo, como um diálogo expositivo deixa claro.

Falando em diálogos expositivos, o filme de Kurtzman tem vários desnecessário. Em seu desespero por criar este novo universo cinematográfico, o filme transforma o Dr. Jekyll de Russell Crowe (Pais e Filhas) no sabichão que explica todos os detalhes da trama para os personagens e consequentemente para o público. Apesar de instável ele é o chefe da Prodigium, atuando como o Nick Fury da S.H.I.E.L.D desse universo, que almeja combater o sobrenatural.

A questão é: a mistura de A Múmia com O Médico e o Monstro funciona? Mais ou menos! Se ele o filme se divertisse com suas bobagens talvez funcionasse melhor. Principalmente se A Múmia não fosse mais um filme de Tom Cruise, que aos 54 anos, interpreta o cara egoísta que ainda precisa crescer, e o astro não precisasse manter sua imagem de herói fazendo seu flerte com o lado negro inteiramente teórico.

À medida que o Dark Universe se desenrola, ficamos na dúvida sobre qual o lado irá ganhar e quantos filmes levaremos para descobrir isso. Que venham os próximos deuses ou monstros!

P.S.: A Noiva de Frankenstein, que terá Bill Condon (A Bela e a Fera) na direção, deverá ser o próximo filme deste universo, com estreia prevista para 14 de fevereiro de 2019. Javier Bardem (Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar) fará o monstro de Frankenstein e a Universal sonda Angelina Jolie para fazer a noiva do título.

P.S. 2: Johnny Depp (Animais Fantásticos e Onde Habitam) estrelará como Homem Invisível. Lobisomem, O Fantasma da Ópera, Corcunda de Notre Dame e O Monstro da Lagoa Negra, também poderão ser explorados neste Universo.

Nota:

Sobre Felipe Sclengmann
Era praticamente impossí­vel que o cinema não acabasse sendo minha paixão. Cresci no prédio onde um cinema funcionava, criado por um avô e uma avó que se conheceram trabalhando no ramo. Então, tá explicado! Falar sobre cinema é um hobbie, uma paixão, tá no meu sangue! Este é o motivo do Quadro por Quadro existir (além de aplicar os conhecimentos de uma graduação em Sistemas de Informação, a qual detesto) e ele está aí para reunir quem também ama esta arte.