QpQ Resenha | Paris Pode Esperar

"Paris Pode Esperar" é charmoso, mas não deixa de ser clichê

Crises da meia-idade são um tema bastante tradicional nas telas de cinema norte-americanas: aquela pessoa que está em dúvidas sobre o casamento, não tem uma história muito boa para contar e sente que precisa viver novas emoções. Paris Pode Esperar é mais uma produção dirigida pela veterana Eleanor Coppola, agora com 81 anos, que une elementos dramáticos e leves risadas em cenários belos e encantadores da França.

Anne (bem interpretada por Diane Lane, a Martha de Batman vs Superman), é uma mulher no auge do trabalho, das relações afetivas e da autoestima, só que não digo isto de forma positiva. Ela é casada com Michael (Alec Baldwin, de Missão Impossível – Nação Secreta), um bem-sucedido e ocupado diretor de cinema. Devido à agenda repleta de compromissos com reuniões e viagens de negócios, ele mal consegue dar atenção à esposa, exceto quando precisa combinar meias e encontrar suas gravatas.

Acompanhando o marido por uma cidade francesa, Anne está sempre pensante, até que precisam viajar a Paris em um jato particular. Com dor nos ouvidos, ela é aconselhada pelo piloto a não voar por causa da pressão. Então, decide ir de trem até o destino final. E é aí que Jacques (Arnaud Viard, de Grandes Amigos), o sócio de Michael, aparece e se oferece para levá-la.

A viagem acontece em um antigo carro de Jacques quase caindo aos pedaços. Seu jeito simpático, acolhedor e galante vai aos poucos ganhando a confiança de Anne, que começa a se sentir segura para transparecer suas mais profundas emoções. Um percurso que devia ser rápido acaba mais longo com constantes paradas, tendo Jacques como um romântico guia turístico.

Paris Pode Esperar une belas paisagens, bastante história local, arte e gastronomia com magníficos pratos e muitas taças de vinho, anexados de forma inteligente pela direção. Sempre com uma câmera na mão, Anne registra os detalhes momentâneos em fotografias. Ao mesmo tempo, redescobre prazeres da vida antes afastados. O longa não deixa o clichê de lado no roteiro, mas traz uma leveza para quem assiste, sem ter intenção de impactar, com estética atraente e charme inegável.

Nota:

Please follow and like us:
Sobre Diego Patrick
Formando em jornalismo pela FACHA, já assinou reportagens para revista e portais. É fascinado pela magia do cinema e da literatura, com uma coleção de livros e filmes favoritos na estante. Além da profissão, pretende seguir carreira como escritor e ensaísta.