QpQ Resenha | Orange Is The New Black – 5ª Temporada

"Orange is The New Black" retoma sua luta por justiça e entrega uma temporada mais dinâmica

Orange Is The New Black é uma das poucas séries que conseguem se adaptar conforme os absurdos da sociedade americana e sempre cria uma narrativa cheia de metáforas e referências dentro de um espectro limitado como uma prisão. Sua força em mostrar os seres humanos em sua mais pura essência, junto de suas falhas, ainda é o trunfo da série, que mesmo depois de alguns escorregões, parece ter acertado como nunca nessa temporada. Após 5 anos, sendo uma das pioneiras do sistema de streaming da Netflix, OITNB criou um ambiente hostil, dramático e divertido para contar uma história real, mas com um pingo de crítica política, social e econômica. Assuntos que são difíceis de se estruturar de uma forma que não soe piegas e nem ativista demais, apenas parecido demais com o mundo real.

A primeira cena, retoma o momento de fúria, revolta e busca por justiça em Litchfield, quando Daya (Dascha Polanco) ameaça atirar em um dos piores guardas da prisão, daí em diante as detentas fazem uma rebelião, que também parece ter feito bem a série, que se livrou de personagens que não funcionaram e seguiu adiante com novas dinâmicas de núcleos que se encaixaram na trama de uma forma muito mais correta. Os episódios não estão mais arrastados como nas últimas temporadas e os momentos dramáticos são mais selecionados para causar um impacto rápido e logo a tela corta para um outro ponto emotivo periférico, dando um ritmo de trama muito mais envolvente e interessante, podendo extrair também mais talento das excelentes atrizes que compõem um dos melhores elencos da atualidade.

As detentas agora tomaram o controle de Lichfield e estão descontando toda a opressão e abusos em cima dos guardas e diretores que as trataram como a escória da sociedade todas essas temporadas. Nesse novo momento da prisão, a imprensa e o governo do lado de fora interpreta tudo que ocorre lá dentro como vantagem ou simplesmente não se importam se alguém lá dentro morre ou vive. A falta de atualização dessas mulheres sobre o que acontece no mundo la fora, desde notícias até avanços tecnológicos, são ferramentas importantes que constroem a narrativa de forma que ela continue girando, como a comunicação entre Gloria (Selenis Leyva) e Aleida (Elizabeth Rodriguez) e a escolha de emojis de Red (Kate Mulgrew) e Flores (Laura Gómez).

Insistente em combater o sistema carcerário e colocar um holofote sobre as minorias, a série coloca todo tipo de preconceito numa experimentação programada como ratos de laboratório, onde seus comportamentos serão analisados. E fica a expectativa para ver no que vai dar. Essa experiência dá força para uma mudança que vai além das telas. A vida dessas pessoas importam, porque elas não são tão diferentes de nós como a gente acha. O comportamento da maioria das pessoas na internet ajuda a ridicularizar situações e pessoas, transformando assuntos sérios em memes que tiram a nossa real preocupação do foco para não encararmos a realidade, e isso também não fica de fora do programa. Além de toda construção politicamente correta, a trama abre espaço para mais um vilão memorável da série, que mantém as presas ocupadas nos últimos episódios e cria consequências para o possível ano 6 do programa.

Constantemente forte e relevante, desconstruindo qualquer vestígio de stigma de padrões hollywoodianos, OITNB conseguiu sintetizar em uma cena toda a revolta contra o nosso sistema e como a morte de uma pessoa especial e inocente importa. Danielle Brooks, que interpreta Taystee, entregua suas falas de maneira tão genuína que sai de seu personagem para ser porta-voz de algo maior. Um dos pontos mais altos da temporada e também a cena mais comovente. Aplausos para o elenco sempre afinado e o roteiro que se ajustou perfeitamente a nova ambientação do mundo aqui fora. Que venham novos desafios para as mulheres que mais representam o mundo hoje em dia.

Nota:

Sobre Felipe Cavalcante
Formado em RTV, fã de boas músicas e boas histórias, sempre em busca de coisas novas e empolgantes. Obcecado por super-heróis e pela magia do impossível que se torna real nas telas da TV e do cinema.