QpQ Resenha | Homem-Aranha: De Volta ao Lar

"Homem-Aranha: De Volta ao Lar" é a volta do amigão da vizinhança às suas origens dos quadrinhos

Depois de ser considerado uma das melhores coisas de Capitão América: Guerra Civil, o amigão da vizinhança está de volta em seu primeiro filme solo no Universo Cinematográfico Marvel, em Homem-Aranha: De Volta ao Lar.

Acertadamente o filme se baseia na premissa dos quadrinhos chamados Controle de Danos, série criada no fim dos anos 80, que mostra os personagens que são responsáveis por limpar a bagunça deixada pelas batalhas dos heróis, no caso de De Volta ao Lar, são os destroços da Batalha de Nova Iorque, que aconteceu lá em Os Vingadores – The Avengers, em 2012.

No filme, depois de atuar ao lado dos Vingadores na Guerra Civil que os polarizou, chegou a hora de Peter Parker (Tom Holland, de O Impossível) voltar para casa e para a sua vida, já não mais tão normal no Queens. Lutando diariamente contra pequenos crimes nas redondezas, ele pensa ter encontrado a missão de sua vida quando o terrível vilão Abutre (Michael Keaton, o eterno Batman dos filmes de Tim Burton) surge amedrontando a cidade. O problema é que a tarefa não será tão fácil como ele imaginava.

Controle de Danos dá o tom para o primeiro filme do herói realizado pela equipe criativa do Marvel Studios. Este Peter Parker parece mais preocupado em como lidar com as agruras de ser adolescente do que com a busca por seu herói interior, e isso é maravilhoso de se ver, fazendo de De Volta ao Lar o melhor filme do herói desde Homem-Aranha 2, de Sam Raimi, lançado em 2004.

Jon Watts consegue fazer a transição de filmes pequenos para um blockbuster do tamanho de Homem-Aranha: De Volta ao Lar com maestria. O toque sensível do diretor está todo lá, com direito a uma piada relacionada à Curtindo a Vida Adoidado, que está ali não apenas como piada, mas conferindo um estilo dos filmes de John Hughes também.

E a eterna reclamação quanto aos vilões da Marvel finalmente não se aplica aqui. Michael Keaton constrói um Abutre com propósito bem definido trazendo toda uma pegada de ficção científica ao longa, na medida que o vilão adapta a tecnologia Chitauri para criar as mais diferentes armas para confrontar a tecnologia do uniforme do aranha, presente do mentor do personagem nesse universo, Tony Stark (Robert Downey Jr., confortável no papel, mas sem roubar a cena em nenhum momento).

Holland se mostra perfeito no papel de Peter Parker enquanto tenta nos convencer do adolescente que Peter é, tentando descobrir como fazer a diferença no mundo em que habita.

De Volta ao Lar nunca foge da fórmula Marvel de sucesso, mas isso não é um problema. Há boas cenas de ação, boas piadas e algumas sementes plantadas para as inevitáveis sequências (mas pelo menos não há a ameaça de fim do mundo que se tornou tão comum em todos os terceiros atos dos filmes de herói). Homem-Aranha finalmente está De Volta ao Lar, ame ou odeie!

Nota:

Sobre Felipe Sclengmann
Era praticamente impossí­vel que o cinema não acabasse sendo minha paixão. Cresci no prédio onde um cinema funcionava, criado por um avô e uma avó que se conheceram trabalhando no ramo. Então, tá explicado! Falar sobre cinema é um hobbie, uma paixão, tá no meu sangue! Este é o motivo do Quadro por Quadro existir (além de aplicar os conhecimentos de uma graduação em Sistemas de Informação, a qual detesto) e ele está aí para reunir quem também ama esta arte.