QpQ Resenha | Gypsy

O drama "Gypsy" acerta ao tratar da vida adulta de forma sexy, livre e traiçoeira

Personagens complexos e histórias envolventes são receitas de sucesso em Hollywood. Os destaques dos thrillers, suspenses e dramas dos anos 80 e 90, dizem muito sobre isso. Histórias lineares, com pontos fortes de caráteres que se desenvolvem de forma muito bem pensada e são trabalhadas de forma cuidadosa, usando o clichê à favor da trama. Este é o caso da nova série original Netflix, Gypsy, criada por Lisa Rubin e produzida por Sam Taylor-Johnson, a diretora de Cinquenta Tons de Cinza.

Diferente do filme inspirado na obra erótica que conquistou gerações de mulheres submissas, Gypsy chega com uma proposta diferente sobre como tratar de sua protagonista feminina, a terapeuta Jean, interpretada brilhantemente por Naomi Watts. Jean é casada com um homem absorvido pelo trabalho e mãe de uma garota que começa a sinalizar sua diferença de gênero, fato muito bem administrado pelos pais que lidam com isso de forma muito evoluída.

A personagem de Watts, entediada em sua vida pacata, acaba se envolvendo com seus pacientes e cria uma nova identidade para se esconder entre os problemas pessoais dessas pessoas. Ora agindo de forma intuitiva e com a intenção de ajudar seus pacientes, ora seguindo movimentos extremamente egoístas de se sentir mais viva e parte de uma história que ela pode facilmente apagar. Nesse jogo, vale a mudança de visual, hábitos e preferência sexual.

Gypsy consegue trabalhar muito bem seu roteiro, que tem uma combinação entre a busca da verdade e a investigação da vida íntima de cada um dos pacientes de Jean e seus relativos mencionados nas sessões, além dos dilemas da vida adulta contemporânea. Seus personagens, ambientação e direção cumprem o papel de representar um cenário que existe, com desvios de caráter, traições e acertos de contas. Novamente, o clichê é usado à favor da trama que nos leva para uma conclusão familiar, mas ainda assim consegue surpreender, muito por conta de um elenco empenhado e uma protagonista que prende a atenção e enche a tela com sentimentos muito próximos dos nossos. Um acerto da Netflix e mais uma opção de variedade ao vasto catálogo de streaming.

Nota:

Sobre Felipe Cavalcante
Formado em RTV, fã de boas músicas e boas histórias, sempre em busca de coisas novas e empolgantes. Obcecado por super-heróis e pela magia do impossível que se torna real nas telas da TV e do cinema.