QpQ Resenha | Em Ritmo de Fuga

"Em Ritmo de Fuga" é feito com ritmo musical e desenfreado

Se Norman Bates, de Bates Motel, assistisse Em Ritmo de Fuga, o novo filme de Edgar Wright (Scott Pilgrim Contra o Mundo), ele se sentiria levemente representado. Baby, o protagonista do filme, é um motorista que tem iPods diferentes, dependendo do seu humor, e que nunca tira os fones de ouvido, mas cujo a mãe falecida era a sua cantora predileta. Não bastasse isso, ele se apaixona por uma garçonete que trabalha no mesmo lugar onde sua mãe trabalhava e lembra muito ela fisicamente.

No filme, o jovem Baby (Ansel Elgort, de A Culpa é das Estrelas) ouve músicas o tempo todo para silenciar o zumbido que perturba seus ouvidos desde um acidente na infância. Excelente motorista, ele é o piloto de fuga oficial dos assaltos de Doc (Kevin Spacey, de House of Cards), mas não vê a hora de deixar o cargo, principalmente depois que se vê apaixonado pela garçonete Debora (Lily James, de Cinderela).

Você precisa estar preparado para assistir aos filmes de Edgar Wright (como eu queria ver o que ele faria com o Homem-Formiga da Marvel). Há uma profusão de ideias inspiradas, mas também uma espécie de bagunça. O diretor toca as mais diferentes músicas pop enquanto há perseguições de carro daqui pra lá e ele faz um estudo das obsessões de seu protagonista.

Assim como outros personagens, o Baby de Elgort se torna intensamente apaixonado, beira a loucura, mas é comprometido com sua paixão pela música e por Debora tanto quanto é bom na direção (inexplicavelmente). Praticamente uma versão amenizada do motorista interpretado por Ryan Gosling em Drive, de 2011.

John Hamm (Vizinhos Nada Secretos), Jammie Foxx (O Espetacular Homem-Aranha 2 – A Ameaça de Electro) e Jon Bernthal (o Justiceiro das séries da Marvel na Netflix), completam o elenco e são os golpistas que Baby precisa carregar de um lado pro outro.

Wright consegue uma proeza: ele subverte ironicamente o tom esperado de qualquer cena de Em Ritmo de Fuga. Normalmente a trilha é escolhida para se adequar às cenas e Wright parece ter feito o caminho contrário para fazer seu Baby discutir a própria vida usando da música para decidir o seu destino (promissor ou não!).

Nota:

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Sobre Felipe Sclengmann
Era praticamente impossí­vel que o cinema não acabasse sendo minha paixão. Cresci no prédio onde um cinema funcionava, criado por um avô e uma avó que se conheceram trabalhando no ramo. Então, tá explicado! Falar sobre cinema é um hobbie, uma paixão, tá no meu sangue! Este é o motivo do Quadro por Quadro existir (além de aplicar os conhecimentos de uma graduação em Sistemas de Informação, a qual detesto) e ele está aí para reunir quem também ama esta arte.