QpQ Resenha | Os Meninos que Enganavam Nazistas

"Os Meninos que Enganavam Nazistas" retrata as consequências da ocupação alemã na França

As tragédias e repercussões da Segunda Guerra Mundial costumam render histórias emocionantes na sétima arte. Os Meninos que Enganavam Nazistas é um belo exemplo, uma adaptação comovente da autobiografia Un Sac de Billes (Uma Bolsa de Bolas de Gude, em tradução literal) de Joseph Joffo, integrante de uma família de judeus francesa.

Joseph narra sua infância a partir da fuga da Gestapo na França, em 1942. Ele, seus pais e os três irmãos mais velhos vivem juntos em Paris, onde a família é dona de uma barbearia. Joseph, 10 anos, e Maurice, 12, são sapecas e começam o filme tirando sarro dos alemães, não sabendo a real dimensão do perigo enfrentado. Mas logo eles são preparados pelo pai, interpretado por Patrick Bruel – numa cena dolorida e tocante -, a mentirem sobre sua origem, a negarem com todas as forças sua religião, sua identidade e afirmar com veemência o catolicismo como crença. Seu pai então lhes dá alguns francos e os instrui a procurarem os parentes numa parte ainda não ocupada da França, território neutro, perto de Nice.

Já no trem, escapam por um ato de compaixão e humanidade do sacerdote ao lado do qual escolhem se sentar. Depois de uma temporada tranquila, novamente é preciso mudar de local. Os garotos passam por um choque de realidades ao ter que viver longe da família pelo bem de todos, com uma vã esperança de que um dia acabe a ocupação alemã e eles possam se reunir novamente em Paris.

O grande carisma e a química entre os dois irmãos é a força propulsora do filme. Dorian Le Clech está ótimo como Joseph, mostrando inocência e ao mesmo tempo resiliência, enquanto Batyste Fleurial como Maurice apresenta vulnerabilidade e força na medida. Patrick Bruel interpreta muito bem a idealização do patriarca da família, o grande ídolo e mentor de Joseph. E não esqueçamos a doçura e coragem de Elsa Zylberstein como Anna, a mãe, ao precisar se separar dos filhos para garantir a sobrevivência deles. Com participações de outros grandes atores franceses, o filme segue um ritmo fluido, com cenas de punição por vezes explícitas, e outras vezes insinuadas.

A relação fraternal é muito explorada, assim como a bondade de uns seres humanos contra a maldade/ignorância/desprezo de outros. E se o próprio Joseph Joffo aplaudiu a versão cinematográfica que narra o impacto doloroso da ocupação alemã em sua vida, sinal de que é um filme imperdível. Não deixe de conferir essa pungente narrativa.

Nota:

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Sobre Marcela Sachini
Libriana (portanto, indecisa), sou viciada em seriados (inclusive sul-coreanos), apaixonada por idiomas, música e literatura. Moraria em Notting Hill com toda a certeza, só esperando um convite do Henry Cavill para isso. Fui ao cinema pela primeira vez com 6 anos. Foi amor à primeira vista, desde então não parei mais.