QpQ Resenha | Planeta dos Macacos: A Guerra

"Planeta dos Macacos: A Guerra" encerra a trilogia perfeitamente

O nome é Planeta dos Macacos, então nada mais justo do que os macacos do título roubarem a cena. Certo? Pois é o que acontece em A Guerra, terceiro filme da reinvenção da franquia imaginada pela 20th Century Fox.

No filme, humanos e macacos cruzam os caminhos novamente. César (o ótimo Andy Serkis, conhecido como o Góllum de O Senhor dos Anéis) e seu grupo são forçados a entrar em uma guerra contra um exército de soldados liderados por um impiedoso coronel (Woody Harrelson, de Jogos Vorazes). Depois que vários macacos perdem suas vidas no conflito, César luta contra seus instintos e parte em busca de vingança. Nessa jornada, o futuro do planeta poderá estar em jogo.

É interessante notar que os chimpanzés gerados por computador parecem mais humanos do que os humanos em cena – que é justamente o ponto forte desta nova reinvenção da série. É claro que o roteiro ajuda ao fazer dos humanos personagens estereotipados e bidimensionais (mas isso não é um problema).

Matt Reeves, que já dirigiu o capítulo anterior e foi também o responsável pela refilmagem americana de Deixe-me Entrar, preenche as lacunas para levar ao cenário calamitoso visto no filme de 1968, mas parece menos preocupado com a mitologia da série e no caminho faz homenagens interessantes à clássicos como A Ponte do Rio Kwai e Apocalypse Now. E o resultado é um encerramento perfeito para esta nova trilogia.

Se Planeta dos Macacos: A Origem, de 2011, fazia suas alegorias com os engenheiros genéticos e dos testes com animais e sua sequência, O Confronto, de 2014, falava da crescente agitação social, com analogias à Malcolm X e Martin Luther King Jr., A Guerra não traz subtextos tão nítidos, mas consegue se manter no nível dos antecessores e a ainda entregar imagens poderosas no caminho.

Reeves, com os efeitos especiais incríveis que tem a sua disposição, nos pede para simpatizar com César em uma missão que desafia tudo o que o personagem representa dentro e fora da franquia, da mesma forma ele faz um filme de guerra saudosista através de homenagens para diversos filmes do gênero já consagrados pelo cinema, mas sem deixar que o público não se sinta tocado pela alarmante erradicação da raça humana.

Nota:

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Sobre Felipe Sclengmann
Era praticamente impossí­vel que o cinema não acabasse sendo minha paixão. Cresci no prédio onde um cinema funcionava, criado por um avô e uma avó que se conheceram trabalhando no ramo. Então, tá explicado! Falar sobre cinema é um hobbie, uma paixão, tá no meu sangue! Este é o motivo do Quadro por Quadro existir (além de aplicar os conhecimentos de uma graduação em Sistemas de Informação, a qual detesto) e ele está aí para reunir quem também ama esta arte.