QpQ Resenha | Death Note

"Death Note" é intrigante, divertido e assustador

Imagine uma situação de crise adolescente envolvendo traumas e bullying. Uma das coisas que a gente mais tem vontade nessa fase da vida é ter poder sobre o outro, ou por mais literal que seja, sobre sua morte. Imagens que passam por nossa cabeça inevitavelmente. Agora se esse controle fosse possível, as consequências seriam reais. É com esse envolvimento universal que a premissa de Death Note começa, filme original Netflix dirigido por Adam Wingard, que adapta o anime de Tsugumi Ohba e Takeshi Obata.

Na trama, Light (Nat Wolff) encontra um caderno misterioso que pode ser usado para matar pessoas, só basta escrever um nome e a maneira que o indivíduo vai morrer. O Death Note é protegido por Ryuk, um Deus da morte, brilhantemente dublado por Willem Dafoe, que entrega uma entonação de voz forte, misteriosa e sarcástica perfeita para o personagem. Com esse poder nas mãos, Light começa a testar as possibilidades e cria uma persona mundial para resolver crimes e matar ditadores, estupradores, criminosos em geral. Isso chama atenção do FBI, e aí vem o problema da história, a entrada de L (Lakeith Stanfield), um personagem muito mal construído, criado num orfanato que prepara crianças para serem os melhores detetives do mundo. Lakeith ainda entrega uma interpretação fraca e insegura que não consegue salvar o personagem.

Em meio as complicações que Light se mete após tantas mortes e teorias sobre Kira, seu alter-ego deixado em todas as cenas de crime, a investigação fica cada vez mais desinteressante e os únicos alívios e reviravoltas da trama ficam a cargo de Mia (Margaret Qualley), a namorada de Light e Ryuk, que é muito mais assustador e suas aparições sempre envolvem mita sombra, o que cria ainda mais o interesse de ver seu rosto por completo em meio a tanto preto. O filme se preocupa bastante com a estética e melhora muitas imagens comparadas aos quadros do anime original, deixando a obra visualmente mais interessante, que coloca em movimento cenas sem muito peso nas páginas. Nat Wolff carrega bem o protagonista e combina muito bem com uma persona perturbada diferente das comédias que vinha fazendo.

Por fim, a ocidentalização da história não estraga a experiência por mais polêmica que seja, pelo contrário, garante a diversão esperada de Death Note, que tem uma legião de fãs pelo mundo todo. O filme tem um ritmo muito bom, usa uma trilha sonora que combina com o material e suas reviravoltas concluem a história de forma satisfatória.

Nota:

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Sobre Felipe Cavalcante
Formado em RTV, fã de boas músicas e boas histórias, sempre em busca de coisas novas e empolgantes. Obcecado por super-heróis e pela magia do impossível que se torna real nas telas da TV e do cinema.