QpQ Resenha | Atômica

"Atômica" é uma mistura entre espionagem na Guerra Fria com o ritmo New Wave

Atômica não é uma unanimidade e se você procurar por um longa sério e cheio de conteúdo precisará passar bem longe dele. Mas como entretenimento funciona perfeitamente e é um deleite aos olhos e ouvidos.

Adaptado da Graphic Novel Atômica – A Cidade Mais Fria (publicada no Brasil pela DarkSide Books), o filme acompanha Lorraine Broughton (Charlize Theron), uma agente disfarçada do MI6, enviada para Berlim durante a Guerra Fria para investigar o assassinato de um oficial e recuperar uma lista perdida de agentes duplos. Ao lado de David Percival (James McAvoy), chefe da localidade, a assassina brutal usará todas as suas habilidades nesse confronto de espiões.

David Leitch, ex-dublê que se aventurou na direção com algumas partes de John Wick – Um Novo Dia para Matar, faz um trabalho estiloso ao mesclar espionagem durante a Guerra Fria com uma vibe da New Wave tão famosa no fim dos anos 80, quando o filme se passa.

Se a trama de Atômica é rala, o visual e a coisa toda empolgam em seu lugar. E Charlize Theron parece super confortável e solta em seu papel de agente secreta (mais um ponto pras meninas), uma femme fatale com eficiência monstruosa.

Atômica se perde um pouco apenas em sua trama labiríntica. Há informação demais e coisas demais acontecendo e os elementos de mistério não são tão bem tratados quanto deveriam, mas isso não estraga o filme. Ainda assim dá para considerar o longa um dos melhores do ano até aqui.

A trilha sonora impecável é fundamental para a ambientação do filme. Como em uma montagem musical o filme brinca com os sucessos dos anos 80 para nos colocar às vésperas dos eventos que levaram à queda do muro de Berlim. E faz isso com competência (assim como Guardiões da Galáxia Vol. 2 e Em Ritmo de Fuga já fizeram com suas trilhas esse ano).

Um deleite para os olhos e ouvidos, Atômica funciona mais como filme de ação do que espionagem. Isso não é ruim, afinal, os elementos deslumbrantes na tela são mais do que suficientes para gerar o entretenimento que o filme se propõe.

Nota:

Sobre Felipe Sclengmann
Era praticamente impossí­vel que o cinema não acabasse sendo minha paixão. Cresci no prédio onde um cinema funcionava, criado por um avô e uma avó que se conheceram trabalhando no ramo. Então, tá explicado! Falar sobre cinema é um hobbie, uma paixão, tá no meu sangue! Este é o motivo do Quadro por Quadro existir (além de aplicar os conhecimentos de uma graduação em Sistemas de Informação, a qual detesto) e ele está aí para reunir quem também ama esta arte.