QpQ Resenha | Como Nossos Pais

Como Nossos Pais é um drama moderno que aborda conflitos familiares

Como Nossos Pais é o novo filme da diretora Laís Bodanzky (Bicho de Sete Cabeças e As Melhores Coisas do Mundo). O filme vem conquistando premiações, como o 19º Festival de Cinema Brasileiro de Paris e o 45º Festival de Cinema de Gramado.

O longa tem um ótimo elenco: Maria Ribeiro, Paulo Vilhena e Clarisse Abujamra (maravilhosa no papel de uma mãe moribunda e severa).

A história gira ao redor de Rosa (Maria Ribeiro), que enfrenta uma crise existencial ao descobrir que não é filha do pai que tanto admira. Passa o filme inteiro buscando responder perguntas como: “quem sou eu?” ou “é possível ser feliz no casamento?”. O drama é moderno e foca nas relações familiares e amorosas, assunto pouco debatido no cinema nacional, ao contrário das inúmeras telenovelas brasileiras que dão aulas nesse aspecto.

A trama é interessante, mas me parece um filme que explora temas bem “white people’s problems”. A expressão inglesa é bastante utilizada na atualidade para descrever situações e dificuldades criadas por motivos pessoais e as vezes bastante fúteis. Nenhum dos problemas enfrentados por Rosa são de fato reais. Ela cria as próprias dificuldades a partir de uma interpretação pessoal do mundo a sua volta. Rosa não passa fome e não corre risco de vida. No máximo perdeu o emprego (por erro próprio) e aproveitou a oportunidade para investir num sonho pessoal de ser escritora. Lindo! Manuel Carlos é ótimo em contar histórias assim. Na verdade só faltou a empregada.

Como Nossos Pais parece ser um filme de gente branca feito para gente branca de classe média (os pagantes no cinema!). Nada contra investir no público alvo. E na crise em que vivemos, nada melhor do que se ver na tela do cinema e perceber que não estamos sozinhos.

O filme pode ter ganhado prêmios, mas me senti incomodado com a falta de profundidade nos dramas pessoais. Apesar das boas interpretações, os papéis são clichês. Se tiver que bater palma, bato para como a personagem Rosa buscou se resolver com as filhas no final do filme.

Se você é de classe média, assista! Vai gostar! Se não for, talvez se sinta incomodado assim como eu (maldita crise!). Mas talvez esse seja o meu “white people’s problem” do dia. Vai saber…

Nota:

Sobre Viní­cius Gratão
Geek de carteirinha, apaixonado por quadrinhos, games, animes e tecnologia. Formado em cinema, amo particularmente os clássicos e os westerns à  italiana. Acredito em tudo, inclusive em Tex Willer.