QpQ Resenha | Esta é a Sua Morte – O Show

“Esta é a Sua Morte – O Show” faz crítica mortal a realities enquanto se esbalda nas mesmas fórmulas

Não tem nenhuma novidade em dizer que reality shows são uma porcaria que explora o voyeurismo, e que as mídias lucram com a desgraça alheia. E hoje são comuns os filmes que fazem crítica a tudo isso, alguns funcionando muito bem, como O Abutre, e O Show de Truman, enquanto outros, como o lançamento, Esta é a Sua Morte – O Show, patina e usa clichês horrorosos para no final não contar nada diferente.

A história é basicamente essa: um apresentador de TV, Adam Rogers (Josh Duhamel), presencia a morte de dois participantes do reality que apresentava. Depois disso ele pira, e desanda a criticar a TV e seu papel como exploradora das desventuras humanas. Mas não demora muito para ele vender a alma para um novo demônio e apresentar um reality ainda pior, que faz dinheiro mostrando pessoas se matando ao vivo na TV.

Olha, o filme começa bem, com Adam mandando bem na crítica à TV e seus formatos desgastados e estúpidos, e a necessidade do ser humano de dar uma espiada na vida do vizinho, mas aí a coisa descamba, e personagens rasos e sem personalidade, aliados a uma trama sem graça e previsível (eu fiquei o filme todo achando que ia ter uma virada, que o cara tava escondendo o jogo, mas não!), e uma trilha sonora totalmente errada, com cenas de suspense embaladas com trilha de drama (socorro!), acabam com o que poderia ter sido um bom filme.

A melhor cena do filme é o discurso do Mason (Giancarlo Esposito, que dirige o filme), se bem que o personagem forçou um pouco a barra. Apesar de acreditar que muitas pessoas estão na situação de desemprego pós-crise nos EUA (e no mundo todo, na verdade) e sofrendo da mesma forma, o personagem não conseguiu me convencer. A única que parecia autêntica era a irmã do Adam, Karina (Sarah Wayne Callies), com uma personagem que até ajudava a dar toques de humanidade a Adam.

No geral, o filme é uma droga mesmo. Pregando o quão ridículo são os reality shows e a exploração da desgraça alheia e a morbidez de espiar pessoas morrendo ao vivo na TV (se bem que os telejornais não economizam em cenas desse tipo hoje em dia, e a maioria das pessoas está meio que amortecida para a violência, que é simplesmente banalizada), mas fazendo a mesma coisa no filme, mostrando para nós, audiência, pessoas morrendo de formas horrendas em frente à câmera. Hum… crítica rasinha, hein? Minha dica? Fica em casa assistindo um telejornal qualquer que você ganha mais 😀

Nota:

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Sobre Melissa Correa
Cinema sempre foi minha maior paixão, sempre fez parte de quem eu sou. Quando criança, eu levantava pra ver filmes de terror de madrugada, escondida. Ficava até três da matina (bendito fuso horário de Los Angeles!!) pra acompanhar o Oscar. E salvava cada centavinho pra ver os filmes no cinema. Hoje também curto viajar, beber café e ler, mas o cinema continua em primeiro lugar na minha vida.